- O Estreito de Ormuz movimenta cerca de 20 milhões de barris por dia, equivalente a 20% da demanda global, e a China é o principal comprador, recebendo grande parte do petróleo que passa pelo corredor.
- O fechamento de Ormuz pode elevar o custo do petróleo e frear o crescimento da China; estudos estimam que cada alta de 10% no preço do petróleo reduz o PIB chinês em cerca de0,15 a 0,2 ponto percentual.
- A China importa cerca de 10,27 milhões de barris por dia, com 40% a 50% vindo do Golfo Pérsico; o fluxo passa majoritariamente por Ormuz, sem substitutos imediatos em caso de interrupção.
- O Irã atingir seu principal aliado econômico é irônico: os EUA são grandes produtores que podem se beneficiar de petróleo mais caro, enquanto a China tem estoques menores para amenizar o impacto.
- No curto prazo, espera-se reação dos mercados (precificação do petróleo; ações de refinarias e petroquímicas chinesas), e no médio prazo a China deve diversificar fontes, acelerar a eletrificação do transporte e buscar rotas via Rússia e Cazaquistão.
O Irã foi alvo de ataques realizados por EUA e Israel no fim de semana. Em resposta, a Guarda Revolucionária Iraniana declarou o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma rota-chave para o transporte de petróleo.
O Estreito opera como corredor energético mundial, com cerca de 20 milhões de barris diários passando por ele, o equivalente a 20% da demanda global. Pequim é o principal consumidor a sofrer com esse fluxo.
A China depende fortemente do petróleo para manter sua indústria, que representa quase 37% do PIB. Entre 40% e 50% do petróleo que chega ao país vem do Golfo Pérsico, passando por Ormuz.
Ao passo que o Irã responde ao ataque, o fluxo de petróleo iraniano para a China também fica em risco. Em 2025, a China importou em média 1,38 milhão de barris diários do Irã, distribuídos para as refinarias de Shandong.
Se o petróleo subir, o impacto sobre a produção se estende a bens como plásticos, fertilizantes e têxteis. Estudos do FMI indicam que cada alta de 10% no preço do petróleo freia o PIB chinês em até 0,2 ponto percentual.
Analistas apontam que um salto para valores entre 90 e 130 dólares o barril pode frear o crescimento chinês em até 1,5 ponto percentual, piorando o cenário de 2026, já com projeção de 4,2% de expansão.
O Irã, ao fechar Ormuz, potencialmente prejudica mais um aliado do que seus adversários, já que a China não dispõe de reservas estratégicas suficientes para sustentar o abastecimento industrial por semanas.
Enquanto isso, os EUA aparecem como maior produtor líquido de petróleo, o que amenizaria impactos de curto prazo para o mercado global, mas não para a China, que depende de fluxos estáveis de petróleo para manter a produção industrial.
No curto prazo, mercados devem reagir com alta de preços do petróleo e queda de ações de refinarias chinesas. A reação deve se estender à indústria petroquímica, com possível valorização de setores de energia renovável e carvão.
No médio prazo, aponta-se para maior diversificação de fontes energéticas na China, aceleração da eletrificação de transportes e uso de rotas terrestres com Rússia e Cazaquistão para reduzir dependência de Ormuz.
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