- Fitch rebaixou o GPA de A para CCC, aumentando a percepção de risco sobre a liquidez da varejista.
- Em um mês, o valor de mercado caiu quase 35%; em dezembro, a empresa contratou a Alvarez & Marsal para uma reestruturação operacional.
- Títulos de dívida da companhia operavam no secundário acima de CDI + 20%, com o mercado apontando para uma reestruturação da dívida.
- GPA pediu cautelar para bloquear ações detidas pelo Casino e recursos de eventual venda, visando agilizar recebimentos em uma arbitragem sobre recolhimento de impostos entre 2007 e 2013.
- A empresa mantém planos de reduzir despesas, vender ativos não estratégicos e renegociar cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas que vencem neste ano; ao fechamento, o GPA valia R$ 1,3 bilhão na bolsa.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) teve queda de 18% neste pregão, após a Fitch rebaixar a empresa de A para CCC. O movimento segue um cenário de confiança fragilizada sobre a sustentabilidade financeira do grupo, segundo o mercado.
Em menos de um mês, o GPA acumula perda de quase 35% de valor. Em dezembro, a companhia contratou a Alvarez & Marsal para uma reestruturação operacional, medida que não impediu a deterioração de cenários de liquidez.
Os títulos de renda fixa da empresa passaram a derreter no mercado secundário, negociando acima de CDI + 20%. A visão dominante é de que uma reestruturação da dívida é iminente para evitar uma queima de caixa prolongada.
Cautelar e disputas com Casino
Ontem à noite, o GPA informou ter pedido uma cautelar para bloquear ações do GPA mantidas pelo Casino e recursos de eventual venda dos papéis. A medida, segundo a empresa, visa assegurar recebimento rápido de recursos caso haja vitória em arbitragem contra o Casino, relacionada a impostos entre 2007 e 2013.
Analistas observam que a simples cautelar agrava a percepção de impasse com credores. Um portfolio manager citou falta de uma estratégia clara de diálogo com credores, apontando que o caminho amigável esperado tem perdido fôlego.
Dívida, gestão e credores
O mercado questiona se a reestruturação liderada pelo CEO Alexandre Santoro será suficiente para interromper a perda de caixa, que supera quatro anos. O GPA passou por mudanças acionárias e de gestão nos últimos dois anos, mantendo uma base acionária nova.
O grupo mantém o compromisso com redução de despesas, venda de ativos não estratégicos e corte de investimentos. Além disso, busca renegociar cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas que vencem neste ano, grande parte até junho.
Contexto de crédito e credores relevantes
A Fitch já havia revisado o rating do GPA em novembro de AA para A e mantido a perspectiva negativa, sugerindo novas reduções caso o fluxo de caixa não se equilibrasse. Itaú é citado como o maior credor, com cerca de R$ 800 milhões a receber em junho, em duas parcelas.
O banco Itaú atua com serviços ao GPA, incluindo adquirência, gestão de tesouraria, contas a pagar e coleta de numerário. O fechamento do dia apontou o GPA com valor de aproximadamente R$ 1,3 bilhão na Bolsa.
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