- Os Emirados Árabes Unidos investem em tecnologia, agricultura vertical, hidroponia e sementes adaptadas ao deserto, com 38 iniciativas para ampliar a produção local e diversificar as importações, dentro da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar 2051 (lançada em 2018).
- Meta até 2051: elevar a produção doméstica para cinquenta por cento do consumo e ter três a cinco fontes de suprimento para cada alimento básico, além de reduzir significativamente o desperdício.
- Infraestrutura: o Dubai Food District, reformulação do Mercado Central de Alimentos de Al Aweer, deverá começar a funcionar em 2027 e ocupará 2,69 milhões de metros quadrados, integrando comércio, armazenamento, processamento e distribuição.
- Investimentos e parcerias: a ADQ tem participação na Louis Dreyfus Company (45% indireta), 50% da Al Dahra Holding e atuou com Limagrain Vegetable Seeds (35%), além de projetos conjuntos com a Silal para desenvolver sementes adaptadas ao deserto.
- Desafios: a população pode chegar a 15,3 milhões até 2050; o consumo deve atingir 8,8 milhões de toneladas em 2029; entre 85% e 90% dos alimentos continuam sendo importados, tornando o abastecimento sensível a choques globais.
A segurança alimentar dos Emirados Árabes Unidos ganha foco estratégico com uma transformação ampla de seus sistemas de produção. O governo atua para reduzir a dependência de importações por meio de tecnologia, agricultura vertical, hidroponia e sementes adaptadas ao deserto. São 38 iniciativas voltadas a ampliar a produção local e diversificar fontes externas.
Essa corrida pela autossuficiência envolve investimentos em infraestrutura, parcerias públicas e privadas e aquisições globais. O objetivo é tornar o país menos vulnerável a choques climáticos e interrupções nas cadeias de suprimentos, mantendo o abastecimento estável para uma população crescente.
Infraestrutura, logística e inovação
A DP World anunciou, em janeiro, a reestruturação do Mercado Central de Al Aweer, que se tornará o Dubai Food District, com a primeira fase em 2027. O polo terá 2,69 milhões de m² e integra comércio, armazenamento e distribuição com cadeia de frio e controle de qualidade.
Shivya Puri, pesquisadora, aponta que o projeto não substitui importações, mas fortalece a resiliência logística. A centralização reduz perdas, aumenta rastreabilidade e ajuda a manter preços estáveis em impactos globais.
Investimentos globais em agrotecnologia
Os fundos soberanos de Abu Dhabi ampliam presença internacional no setor. A ADQ ficou com 45% da Louis Dreyfus Company em 2021, para garantir suprimentos de commodities agrícolas. Também controla 50% da Al Dahra Holding, com operações em 20 países.
Entre aquisições, a Al Dahra comprou Agricost, na Romênia, e negocia projetos de irrigação no Quênia. A renda de ganhos facilita suprimentos ao mercado do Golfo e da região.
Parcerias estratégicas em sementes e inovação
Em 2025, a ADQ fechou acordo para 35% da Limagrain Vegetable Seeds, com parceria de pesquisa com a Silal para desenvolver sementes de hortaliças adaptadas ao deserto. O foco inicial inclui pepinos, tomates e melões.
O Abu Dhabi Investment Office apoiou a agrotecnologia com programas de incentivo a investimentos, financiando empresas como AeroFarms, Nano e outras para desenvolver técnicas no deserto e além.
Desafios e perspectivas
Até 2029, o consumo de alimentos nos EUA ainda depende fortemente de importação, com previsão de 8,8 milhões de toneladas no Emirados. O crescimento populacional amplia a demanda, enquanto guerras e Instabilidade regional elevam riscos de fornecimento.
Com população acima de 11,5 milhões em 2026 e projeção para 15,3 milhões até 2050, o cotidiano do abastecimento continua sensível a choques externos. A estratégia 2051 busca, assim, sustentar a segurança alimentar com tecnologia e parcerias.
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