- Investigação sobre créditos de usinas negociados pelo Banco Master foi enviada ao Supremo Tribunal Federal na última sexta-feira.
- Em 2024, denúncia aponta pagamento de R$ 320 milhões ao fundo Amazonita FIDC por direitos da Usina Santa Tereza, comprados cinco dias antes por R$ 136,5 milhões de Luna FIDC, com valorização de 235%.
- A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o aumento de captação de CDBs, possível precificação artificial de fundos e a participação do empresário Nelson Tanure; o Master afirmou que houve apenas troca de créditos, sem desembolso adicional.
- O conjunto de operações envolve cerca de R$ 8,7 bilhões em direitos de usinas entre gestoras investigadas por fraudes; há relatos de desvio de ao menos R$ 700 milhões via o fundo City.
- O Ministério Público Federal pediu o envio ao STF; defesa de Vorcaro e de Tanure negam irregularidades e afirmam regularidade das operações.
Uma investigação sobre direitos creditórios negociados pelo Banco Master, relacionados a usinas de álcool, foi enviada ao STF na última sexta-feira. O foco são créditos de usinas falidas e operações de compra e venda entre fundos de investimentos.
A Polícia Federal aponta valorização repentina de 235% em cinco dias na operação de 2020, sem justificativa clara. O Master pagou 320 milhões de reais ao Amazonita FIDC por créditos da Usina Santa Tereza, adquiridos cinco dias antes por 136,5 milhões de outro fundo.
A PF abriu inquérito para apurar aumento de captação de CDBs, precificação artificial de fundos e a participação de Nelson Tanure nessas operações. O banco disse que a diferença de preço decorreu da troca de créditos, sem desembolso adicional de caixa.
Segundo o inquérito, o Master comprou cerca de 8,7 bilhões de reais em direitos de usinas por meio de fundos geridos por Sefer Investimentos, Reag e Trustee. Tais operações estariam sob investigação de fraude envolvendo gestoras.
Na denúncia de 2024, os ativos do fundo City aparecem como parte de desvios que teriam movimentado pelo menos 700 milhões de reais do Master para outros beneficiários. A defesa de Vorcaro afirma que os ativos foram avaliados adequadamente pelo banco.
O Amazonas, a Trustee e o Master formam uma cadeia de participação em créditos, com cotistas terceiros e offshores. O Porto de Avezzano e a Aventti Strategic Partners LLP, nas Bahamas, aparecem na estrutura de fundos citada pela apuração. Tanure é apontado como sócio oculto do Master, segundo a PGR.
Caminhos da apuração
O Ministério Público Federal defende o envio dos autos ao STF, ressaltando conexões com investigações em curso no STF e no Banco Central. A Procuradora Luciana da Costa Pinto destacou que as apurações podem ter relação entre si.
Em resposta, a defesa do Master sustenta que não houve irregularidade na contabilização nem na avaliação dos ativos. As manifestações seguem sob análise judicial, com andamento marcado pela Justiça Federal desde 2024.
Investigadores associam o chamado Fundo Amazonita a manobras contábeis envolvendo operações de crédito. Interceptações indicam diálogos entre operadores discutindo ajustes para inflar valores nos balanços.
A defesa de Artur Figueiredo afirmou que as mensagens registradas não evidenciam prática ilícita. Já Ascendino Madureira disse que a interpretação de fraude não condiz com o conteúdo original das conversas.
A investigação envolve ainda o Fundo Luna FIDC, que comprou créditos da Usina Santa Tereza, e o fundo Dublin, ligado a um cotista principal do Amazonita. A operação permanece sob apuração para checagem de responsabilidades.
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