- A Oncoclínicas terá nova CEO em breve; o fundador Bruno Ferrari deixou o comando após quinze anos. O anúncio do substituto deve ocorrer nos próximos dias.
- A empresa precisa rolar ao menos R$ 1 bilhão em dívidas em 2026 para honrar vencimentos e cobrir o fluxo de caixa projetado.
- A Fitch rebaixou o rating da companhia de BBB(bra) para CCC-(bra) e também cortou ratings de CRIs e debêntures, citando alto risco de refinanciamento.
- Camille Loyo Faria foi nomeada diretora financeira e de relações com investidores, em meio ao redesenho de governança; houve decisão judicial que impede o BRB de negociar ações em disputa.
- Em 2025, o caixa está estimado em menos de R$ 100 milhões (excluídos R$ 494 milhões em CDBs do Master); a dívida bruta em 2025 era de cerca de R$ 4,8 bilhões, com projeção de fluxo de caixa negativo em 2025 e 2026.
A Oncoclínicas (ONCO3) enfrenta a necessidade de rolar ao menos R$ 1 bilhão em dívidas em 2026 para honrar vencimentos e manter o caixa. A empresa atravessa um momento de redesenho de governança e finanças, com foco na liquidez para o próximo ano.
O fundador Bruno Ferrari deixou o comando após 15 anos à frente da companhia. O anúncio do novo CEO deve ocorrer nos próximos dias, conforme apuração da Bloomberg Línea, após processo de seleção com a Spencer Stuart.
A mudança de liderança ocorre em meio a pressão financeira. O maior acionista é o fundo Josephina III, da Centaurus Capital, com 18,32%. Latache detém 14,62% e Ferrari tem 5,01%. A participação de Ferrari já foi diluída.
A Fitch rebaixou o rating da Oncoclínicas de BBB(bra) para CCC-(bra) em 26 de fevereiro. Debêntures ligadas a CRIs também sofreram cortes, com quedas de BBBsf(bra) para CCC-sf(bra). Os rebaixamentos atingiram múltiplas séries.
A Oncoclínicas não respondeu aos questionamentos da Bloomberg Línea até a publicação. A ação acumula queda de 18% neste ano e 56,5% em 12 meses, com valor de mercado estimado em R$ 2,9 bilhões na B3.
A Fitch projeta caixa líquido inferior a R$ 100 milhões ao fim de 2025, descontando R$ 494 milhões em CDBs do Banco Master, considerados caixa restrito. O banco está em liquidação extrajudicial.
Em meio ao redesenho, a empresa nomeou Camille Loyo Faria como diretora financeira e de relações com investidores. Faria assume funções estratégicas após passagem pela gestão financeira da Americanas em recuperação judicial.
Nesta terça, ela informou que houve decisão judicial impedindo que o BRB negocie ações da Oncoclínicas em disputa, ação ligada ao processo envolvendo o Master, que chegou a deter 15% da companhia.
Necessidade de rolagem de dívida e projeções
Em setembro de 2025, a dívida bruta totalizava R$ 4,8 bilhões, distribuída entre debêntures, CRIs e empréstimos. Em 2026 vencem cerca de R$ 745 milhões; em 2027, R$ 810 milhões.
A Fitch considera essencial rolar pelo menos R$ 1 bilhão em 2026 para cobrir vencimentos e fluxo de caixa negativo, estimado em torno de R$ 275 milhões no período. O fluxo de caixa operacional deverá fechar 2025 próximo a -R$ 600 milhões.
A alavancagem bruta ficou em 8,0 vezes nos 12 meses até setembro de 2025, devendo recuar para 6,0 vezes ao fim de 2025 e a 5,4 vezes em 2026, segundo a agência. A capitalização de R$ 1,4 bilhão de novembro de 2025 ajudou, mas não eliminou o risco.
Do lado operacional, a Fitch projeta EBITDA de R$ 600 milhões em 2025 e R$ 700 milhões em 2026, com margens entre 10% e 12%. O cenário considera, ainda, potencial venda de ativos como forma de reduzir o risco de refinanciamento.
O Instituto Nacional do Câncer aponta crescimento na demanda por tratamentos, com cerca de 700 mil novos casos por ano no Brasil; especialistas avaliam alta persistente até 2040. A Oncoclínicas atua como rede de tratamento oncológico no país.
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