- Jan van Eck, CEO da VanEck, afirma que o Bitcoin formou um fundo macro de mercado, sugerindo o fim da correção após o halving e preparando o terreno para 2025.
- A tese sustenta que a zona entre 60 mil e 70 mil dólares funciona como piso de reacumulação, não como topo de distribuição, alterando o cenário de trade para os próximos anos.
- O ciclo de quatro anos, tradicionalmente baseado no halving, está sendo questionado pela atuação dos ETFs de Bitcoin, que criam pressão de demanda constante e desafiam choques de oferta de mineradores.
- Fluxos institucionais para ETFs indicaram absorção de demanda mesmo com queda de preços, enquanto a capitulação de mineradores sinaliza estresse de curto prazo, gerando divergência com o comportamento de preços.
Jan van Eek, CEO da gestora VanEck, afirmou nesta semana que o Bitcoin formando um fundo macroeconômico marca o fim da correção pós-halving. A tese aponta um piso de longo prazo entre US$ 60 mil e US$ 70 mil como base para um ciclo de expansão por anos.
Segundo o executivo, o que ocorreu em 2022 significou a reorganização do ciclo. O nível de US$ 60 mil é visto como chão, não topo de distribuição, alterando o cenário de trading para 2025. Dados de longo prazo indicam que esse patamar tem mantido a oferta em mãos de grandes detentores, não apenas de trades de curto prazo.
Van Eck compara o Bitcoin a um ativo de reserva de valor, com comportamento mais semelhante ao ouro do que a ações de tecnologia, sinalizando maturação do mercado. A leitura é apoiada por dados da CryptoQuant, que apontam estabilidade na oferta de detentores de longo prazo em torno de US$ 60 mil.
A crítica ao ciclo de 4 anos
A visão tradicional do ciclo de 4 anos traz halving como motor de queda de oferta, menor venda de mineradores e subida de preço. Em 2024, a dinâmica mostrou complexidade inédita, com o ETF de Bitcoin impulsionando demanda contínua e desafiando choques de oferta anteriores.
A entrada de ETFs à vista criou um efeito de demanda constante que pode superar mudanças diárias na produção de mineradores. Enquanto o halving reduz a oferta, o fluxo institucional diário pode manter o preço em patamares resistentes, mesmo diante de volatilidade.
A VanEck aponta que a narrativa do ciclo não morreu, mas se alongou. A expectativa é de que o choque de oferta pós-halving se reflita nos saldos das corretoras, ajudando a reprecificar o ativo mesmo com a liquidez institucional em expansão.
Fluxos institucionais vs. capitulação de mineradores
Enquanto mineradores enfrentam margens apertadas e venda de estoques para cobrir custos, grandes compradores institucionais, via ETFs, seguem adquirindo ativos. Week após semana, bolsas como BlackRock IBIT e Fidelity FBTC registram fluxos positivos, mesmo em quedas de preço.
Essa diferença entre comportamento institucional e sentimento de varejo sinaliza que o piso de US$ 60 mil pode atuar como suporte, desde que os fluxos de ETFs permaneçam robustos. Caso haja arrefecimento desses influxos, o piso pode ficar mais vulnerável.
A análise sugere que, se o dinheiro institucional continuar absorvendo a oferta mineradora, o piso poderá sustentar uma readequação de preço ao longo do tempo. Caso contrário, a liquidez de curto prazo poderá criar maior volatilidade e oscilações em patamares próximos ao piso.
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