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Crise com CDBs irreais derruba Banco Master e leva Vorcaro à prisão

Liquidação do Banco Master expõe fraude com CDBs e ativos inexistentes; prisão de Vorcaro amplia apuração sobre possível movimentação de bilhões

Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master — Foto: Arte/g1
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  • Banco Master foi declarado liquidado pelo Banco Central em novembro, e o dono Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos.
  • O banco operava com custo de captação elevado e exposição a ativos de risco, oferecendo CDBs com juros muito acima do mercado, o que sinalizava liquidez duvidosa.
  • Tentativas de venda, como a apresentada pelo Banco de Brasília, não avançaram devido a questionamentos de órgãos de controle e à falta de transparência; a liquidação acabou sendo decretada.
  • Investigações indicam emissão de CDBs de cerca de 50 bilhões de reais, uso de ativos inexistentes para reforçar liquidez e venda de créditos da Tirreno ao BRB por 12,2 bilhões de reais, em meio a negociações paralelas com o BRB.
  • Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos cobre até 250 mil reais por CPF ou CNPJ; operações ficam suspensas até o liquidante reorganizar ativos e credores, enquanto pagamentos de empréstimos podem continuar.

O Banco Master foi liquidados pelo Banco Central em novembro do ano passado. A decisão encerrou todas as operações e nomeou um liquidante para gerenciar ativos e passivos, após a instituição enfrentar risco de insolvência.

Daniel Vorcaro, dono do banco, foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ofensiva investiga crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos de uma organização criminosa.

A polícia apura fraude no sistema financeiro desde 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal. Os investigadores apontam a possível fabricação de carteiras de crédito falsas pelo banco e a substituição de ativos sem avaliação técnica.

O Banco Master operava com juros bem acima do mercado em CDBs, tentando captar recursos para cobrir rombos. Mesmo com oferta informal de venda ao BRB, órgãos de controle questionaram a operação, levando à suspensão e à liquidação.

Ao longo de 2022 e 2023, o Master chegou a negociar a venda de 58% do capital ao BRB por cerca de 2 bilhões, o que não avançou por dúvidas de controle e de viabilidade. A operação ficou sob escrutínio de MP e TC.

Relatos de especialistas apontam que o banco oferecia 130% a 180% do CDI em CDBs para atrair recursos. A prática seria uma tentativa de manter a operação sem acesso a crédito barato. A instituição já enfrentava dificuldades de caixa.

Segundo a PF, o banco manteve ativos de baixa qualidade, simulando liquidez. Parte dos recursos captados foi aplicada em créditos de uma empresa chamada Tirreno, sem comprovação de valor ou liquidez. Em seguida, BRB teria adquirido esses créditos.

A liquidação extrajudicial determina o congelamento das operações e a suspensão de pagamentos até que o liquidante organize credores. O FGC garante ressarcimento até 250 mil por CPF ou CNPJ, em valores de deposito ou poupança.

Clientes do Master ficam sem movimentação até nova orientação do liquidante. Débitos e parcelas continuam sob responsabilidade dos tomadores, mas novas transações ficam indisponíveis durante o processo.

A Justiça e autoridades já indicam a possibilidade de responsabilização criminal por gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade documental e organização criminosa. As penas podem chegar a 12 anos de prisão para envolvidos.

Casos anteriores de falência de bancos apresentaram trajetórias semelhantes, com demora na quitação de créditos e ações de recuperação judicial sendo substituídas por liquidação. O BC acompanha o caso e investiga irregularidades contábeis.

Advogados consultados pelo g1 explicam que, com a liquidação, o banco fica isolado de ativos e credores. A apuração segue para definir responsabilizações e impactos para investidores e clientes.

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