- Exportadores líquidos de energia devem se beneficiar, com Canadá e Noruega destacando ganhos em exportações de petróleo; o dólar e títulos do tesouro são vistos como refúgios.
- EUA, apesar da inflação interna, devem manter alta produção de gás xisto e ampliar lucros, com o dólar fortalecendo como ativo seguro.
- China é apontada como provável perdedora, por sua dependência energética e pelo risco de impacto econômico caso o conflito se intensifique.
- Países importadores de energia, como Japão e Coreia do Sul, podem enfrentar choque de oferta e desvalorização de suas moedas frente ao dólar.
- Brasil, apesar de exportador líquido de petróleo, pode enfrentar inflação interna em combustíveis; além disso, há riscos logísticos e de segurança alimentar relacionados ao Irã.
O início de março de 2026 registrou uma escalada de tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com repercussões nos fluxos globais de capital. Em meio à aversão ao risco, analistas apontam quem pode sair ganhando ou perdendo economicamente com a intensificação do conflito.
Segundo especialistas, exportadores líquidos de energia devem ser os primeiros beneficiados. Países produtores com reservas sólidas, como Noruega e Canadá, podem ver incremento de receitas com o aumento do preço do petróleo e do gás. Em 2025, dados de mercado indicam lucros em alta para esses players, mesmo diante de incertezas globais.
Uma leitura dominante sustenta que a China pode ser a principal possível perdedora da situação, devido à dependência de energia barata para sustentar seu modelo de crescimento. A complexa teia entre petróleo, fretes e vínculos econômicos com o Irã expõe o país a impactos significativos em um cenário de escalada.
Cenário de lucros para Estados Unidos e Canadá
A Administração de Informação de Energia dos EUA aponta que o Canadá teve aumento de exportações de petróleo de 2024 para 2025, passando de US$ 147 bilhões para US$ 155 bilhões, com a China entre os compradores. A Noruega, grande fornecedora europeia, comercializou cerca de US$ 44 bilhões em 2025. Expectativas de novos dados deverão confirmar trajetória de alta.
Nos Estados Unidos, a produção de gás xisto permanece robusta, sustentando ganhos mesmo com inflação interna. O dólar e títulos do Tesouro mantêm o papel de refúgio para investidores globais, fortalecendo o cenário econômico interno frente a choques externos.
Impactos para América Latina e Brasil
O Brasil figura como exportador líquido de petróleo e está relativamente afastado do conflito direto. A Petrobras pode se beneficiar com o barril acima de US$ 80, mas há risco de pressões inflacionárias internas sobre combustíveis. O comércio com o Irã é limitado a itens como milho e soja, mas a logística de ureia e fertilizantes nitrogenados preocupa pela cadeia de suprimentos agrícola.
Desafios para outros setores e regiões
Mercados de câmbio devem buscar divisas consideradas “safe havens”, com o dólar e o franco suíço ganhando espaço frente a moedas periféricas. Indústria de defesa e security gain de demanda, com possíveis incremento de atividades em IA, cibersegurança e aeroespacial para potências como EUA, França e Alemanha.
Cadeias de suprimentos de saúde e bens essenciais podem sentir impactos positivos, especialmente em países com capacidade de exportação para itens farmacêuticos. Suíça, Alemanha e México aparecem como players que podem se beneficiar da demanda aumentada por suprimentos e estoques.
O papel da China e os riscos energéticos
O comércio exterior iraniano oscila entre US$ 100 bilhões e US$ 130 bilhões, com a China se beneficiando historicamente do petróleo barato. Contudo, qualquer ruptura no Estreito de Ormuz coloca a China em posição de grande vulnerabilidade, pois metade de seu suprimento externo depende de importação de energia.
Analistas estimam que o PIB chinês pode sentir perdas acima de 1 ponto percentual devido a custos de importação elevados, além de afetar a competitividade industrial e inflacionar custos de refinaria e logística. Esses efeitos ampliariam pressões sobre a política econômica interna.
Olhando para 2026 segundo a visão EFG
O relatório do EFG Private Wealth Management, divulgado recentemente, sugere que o cenário provável envolve um conflito de curta duração com esforços de cessar-fogo. Mesmo assim, o Estreito de Ormuz permanece como gargalo essencial para o fluxo de energia mundial, elevando fretes e seguros marítimos.
Em síntese, o entorno geopolítico de 2026 tende a remodelar o mapa de ganhos e perdas, com impactos diretos sobre energia, câmbio, defesa e exportações estratégicas, mantendo a economia global em um regime de maior volatilidade.
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