- China apresentou um plano quinquenal de cinco anos para acelerar avanços científicos e incorporar IA em toda a sua máquina econômica industrial, ligando tecnologia à segurança nacional frente aos EUA.
- O plano projeta crescimento entre quatro vírgula cinco por cento e cinco por cento em dois mil e vinte e seis, com contingência para o reforço do consumo familiar e um recorde de superávit comercial em torno de US$ 1,2 trilhão.
- O governo pretende elevar o orçamento de defesa e de pesquisa e desenvolvimento, ampliar a participação da economia digital no PIB para doze vírgula cinco por cento e criar um sistema de dados nacional integrado com IA na cadeia de suprimentos.
- As ambições abrangem biomedicina, tecnologia quântica, fabricação em escala atômica, fusão nuclear, robôs movidos a IA e interfaces cérebro-computador, além de manter a vantagem em terras raras.
- Analistas enxergam um reequilíbrio econômico desafiador, com o país apostando na IA e na manufatura avançada enquanto usa empresas estatais para estimular demanda por semicondutores e drones, mantendo pressão sobre relações com os EUA.
A China apresentou nesta quinta-feira um roteiro quinquenal para impulsionar avanços científicos e incorporar a inteligência artificial em toda a sua máquina econômica industrial. O plano, o 15º desde a adoção dos ciclos de planejamento de cinco anos, coloca a tecnologia como eixo central de segurança nacional em meio à rivalidade com os EUA. A abertura ocorreu durante a sessão anual do Parlamento, em Pequim, com o primeiro-ministro Li Qiang destacando a capacidade do país de resistir a pressões externas, mas alertando sobre riscos ao multilateralismo e ao livre comércio.
O governo detalha que a tecnologia, e não o consumo, deve sustentar o próximo ciclo de crescimento. A meta de crescimento de 2026 foi ajustada para 4,5% a 5%, abaixo do 5% de 2025, influenciada por desequilíbrios entre oferta e demanda e pelos problemas no setor imobiliário e pela dívida local. O plano prevê aumento significativo no investimento em pesquisa, defesa e alta tecnologia, além de manter a China como líder em terras raras para preservar vantagem competitiva.
Avanços tecnológicos, metas e IA na prática
O documento estabelece que o valor agregado das indústrias essenciais da economia digital chegue a 12,5% do PIB, com maior integração de dados no mercado nacional e adoção de IA em toda a cadeia de suprimentos. A segurança de IA e novos sistemas de dados aparecem entre as prioridades. Entre as áreas priorizadas estão biomedicina, tecnologia quântica, fabricação em escala atômica e robótica movida a IA, com foco em reduzir dependências externas.
O plano cita ainda metas para expandir robôs que atendam à escassez de mão de obra, ampliar plataformas de computação de alto desempenho e avançar a pesquisa em fusão nuclear. Também aponta a continuidade de estratégias para manter a China como fornecedora dominante em terras raras, componentes críticos para chips e defesa, diante da dependência de parceiros estrangeiros.
Empresas estatais aparecem como instrumento para criar demanda por semicondutores e drones fabricados no país. Analistas destacam que o governo está deslocando recursos para fortalecer o ecossistema tecnológico e a autossuficiência, mesmo diante de pressões externas e dificuldades econômicas internas.
A agenda de políticas aponta ainda para o reforço de capacidades em redes digitais, com ênfase na produção de tecnologia de ponta e na integração de IA em setores produtivos. Observadores ressaltam que o movimento é parte de um reequilíbrio econômico de alto risco, em que Pequim aposta na IA e na manufatura avançada para sustentar o crescimento a médio prazo.
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