- Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez, na terceira fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master.
- Também foram presas outras três pessoas ligadas a uma suposta organização que monitorava e ameaçava adversários, além de dois servidores do Banco Central suspeitos.
- A crise econômica pública desde novembro de 2025 levou o Banco Central a liquidar o Master, Will Bank, Pleno e a gestora de fundos Reag.
- A liquidação dos bancos deve gerar um rombo de quarenta e um bilhões de reais no Fundo Garantidor de Créditos, o maior desembolso desde a criação do fundo em mil novecentos e noventa e cinco.
- O economista Michael Viriato afirma que o FGC gera incentivos a adoção de riscos elevados e defende mudanças para evitar crises futuras, incluindo maior responsabilização de investidores e bancos.
O banqueiro Daniel Vorcaro foi novamente preso na quarta-feira, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Além dele, outras três pessoas ligadas a uma suposta organização para monitorar e ameaçar adversários também foram detidas. Dois servidores do Banco Central teriam atuado em favor de Vorcaro no esquema.
A crise que se intensificou desde novembro de 2025 já levou à liquidação de três bancos vinculados a Vorcaro: Master, Will Bank e Pleno, além da gestora de fundos Reag. O desfecho envolve um rombo estimado de 51 bilhões de reais no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que marca o maior desembolso desde a criação do fundo, em 1995.
O FGC assegura ressarcimento até 250 mil reais por CPF ou CNPJ, buscando proteger investidores, principalmente os de menor porte. Especialistas discutem se o mecanismo, por proteger demais, incentiva riscos maiores entre gestores e bancos menos sólidos. A defesa de Vorcaro sustenta que o plano de negócios do Master era baseado no FGC, o que ele nega ter criado riscos.
A estrutura do FGC e incentivos ao risco
O economista Michael Viriato destaca que o FGC cumpre papel vital na confiança do sistema, mas, tal como está, pode estimular escolhas arriscadas por parte de investidores. Segundo ele, com a proteção total, muitos aplicadores deixam de avaliar a solidez das instituições, buscando apenas a taxa de retorno. Esse fator atrai bancos com custos de captação mais altos.
Viriato também aponta que o desenho atual do FGC ajuda bancos menores a captarem recursos por meio de taxas acima da média, o que exige aplicações mais arriscadas para manter a rentabilidade. Em depoimento à PF, Vorcaro sustentou que o Master operava de modo 100% baseado no FGC, o que ele afirma não ter problema, mas alega que as acusações são não comprovadas.
Para evitar crises futuras, o economista sugere reduzir a cobertura de indenização ou impor custos maiores aos bancos que utilizam o FGC, tornando os gestores responsáveis pelo risco assumido. Ele também ressalta que a maior parte do custo do FGC recai sobre os grandes bancos, que acabam arcando com as contribuições.
Papel do Banco Central e cenários de regulação
Viriato afirma que a atuação do Banco Central foi adequada, mas critica a regulação vigente como ultrapassada para o momento atual. O regulador não impede a entrada de novos agentes, mas precisa evitar riscos excessivos que prejudiquem o conjunto do sistema. A defesa é pela necessidade de ajustes no funcionamento do FGC e na responsabilização pelos investimentos.
Ele aponta que a solução envolve maior equilíbrio entre proteção ao investidor e responsabilidade pelo risco, reduzindo a isenção total de garantia. A discussão sobre a capitalização do FGC já ganhou trância entre grandes bancos, segundo o economista. O objetivo é evitar novas situações semelhantes ao caso Master sem reduzir a função de proteção aos pequenos investidores.
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