- A guerra no Irã pode manter pressão inflacionária nos EUA ao elevar gasolina e energia, dificultando cortes de juros pelo Federal Reserve.
- Ainda não há consenso: autoridades do Fed dizem que é cedo para medir impactos da escalada no preço da energia e na inflação, dependendo da duração do conflito.
- Dados mostram alta de custos de energia nos EUA: eletricidade subiu 6,3% em doze meses até janeiro de 2026; eletricidade residencial média passou de cerca de 16 centavos para quase 18 centavos por quilowatt-hora.
- Analistas apontam que interrupções no petróleo e gás podem influenciar as expectativas de inflação e aumentar a volatilidade dos ativos, ainda que não sinalizam recessão.
- Nos mercados, o S&P 500 tem reagido de forma contida a conflitos geopolíticos, com médias históricas de queda curta seguida de recuperação, e as probabilidades de cortes de juros variam ao longo do ano.
Os custos de energia nos Estados Unidos vêm subindo há meses e ganham nova importância com a escalada do conflito entre EUA e Irã. A possibilidade de o episódio atrasar cortes de juros do Federal Reserve ganhou força com o aumento de gasolina e energia.
Especialistas divergem sobre o tamanho do impacto. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, disse ter confiança na economia, mas alertou que é cedo para confirmar efeitos na inflação, já que o cenário energético pode mudar a qualquer momento. Ele destacou incertezas sobre a duração do conflito.
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, repetiu aoThe New York Times que ainda é prematuro medir impactos. Mesmo assim, afirmou apoiar manter as taxas estáveis por um bom tempo, diante do ambiente de energia volátil.
Os dados indicam que os custos de energia já estavam pressionados. O preço da eletricidade subiu 6,3% em 12 meses encerrados em janeiro de 2026, segundo o Bureau of Labor Statistics, mais que o dobro da inflação geral de 2,5%.
A energia residencial também acompanhou a alta, com gasto médio de eletricidade subindo de cerca de 16 para 18 centavos por kWh entre janeiro de 2025 e novembro de 2025, um aumento de 11,5%, conforme a Energy Information Administration.
Analistas destacam que interrupções prolongadas no petróleo e gás podem influenciar expectativas de inflação e volatilidade de ativos. Tom Porcelli, economista-chefe da Wells Fargo Economics, aponta projeções de alta de até 30% no petróleo, sem, contudo, prever recessão por causa do conflito, desde que não se prolongue.
Para alguns, o efeito global do conflito pode ser limitado, mas há alerta sobre riscos de acúmulo de choques em diferentes mercados, segundo Ryan Sweet, da Oxford Economics. A percepção é de que o impacto depende da duração e da intensidade do confronto.
O que observar
- O preço do galão de gasolina chegou a US$ 3,19, com alta frente à semana anterior, segundo a AAA.
- O Brent ultrapassou US$ 85 o barril, maior nível desde julho de 2024, com possibilidade de superar US$ 100 se o conflito se estender.
- O mercado acionário tende a absorver choques, mas o S&P 500 já mostrou sensibilidade em episódios anteriores, com quedas rápidas em alguns casos.
Segundo dados da CME, a probabilidade de cortes na taxa do Fed em julho fica em torno de 54,7%, menor em março e abril. Analistas destacam que fatores como emprego, inflação e juros seguem mais relevantes que o próprio conflito para o comportamento dos ativos.
Fonte: Forbes.
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