- Em 2025, a indústria brasileira de alimentos faturou R$ 1,388 trilhão, com 10,9% do PIB do país, o maior índice já registrado.
- As exportações de alimentos industrializados atingiram US$ 66,7 bilhões, novo recorde, correspondendo a 19,1% de todas as exportações do Brasil.
- O setor criou 51 mil empregos diretos em 2025, somando 2,125 milhões de empregos diretos formais, e chega a 10,6 milhões na cadeia.
- A inflação dos alimentos ficou em 1,8%, abaixo do IPCA de 4,26%, o que elevou o poder de compra das famílias.
- Para 2026, a ABIA projeta crescimento de 2% a 2,5% nas vendas, com possível salto para cerca de US$ 70 bilhões em exportações.
A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 com faturamento de 1,388 trilhão de reais, segundo dados apresentados pela ABIA. O setor ampliou receitas em 8,02% frente a 2024 e respondeu por 10,9% do PIB, um recorde histórico. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira em coletiva de imprensa.
No ano passado, as exportações de alimentos processados atingiram 66,7 bilhões de dólares, atingindo 19,1% de tudo o que o Brasil exportou. O presidente-executivo da ABIA, João Dornellas, destacou que o setor é um motor de desenvolvimento econômico e social.
A produção de alimentos industrializados e bebidas não alcoólicas somou 288 milhões de toneladas em 2025. O mercado interno superou 1 trilhão de reais, enquanto o externo atingiu 373 bilhões de reais. Vendas no varejo cresceram 8,4% e o food service, 10,1%.
Desempenho econômico e inflação
A inflação de alimentos industrializados foi de 1,8%, bem abaixo do IPCA de 4,26%. Com isso, o poder de compra das famílias se manteve elevado. A massa salarial do setor avançou quase 9,9%, mais que a inflação.
Os investimentos totalizaram 41,3 bilhões de reais no ano, com 65% voltados a inovação, novas linhas, plantas e P&D. Foram 14 bilhões de reais em fusões e aquisições. O governo federal já recebeu 116 bilhões de reais em compromissos de investimento entre 2023 e 2026, próximos aos 120 bilhões previstos.
Emprego, produção regional e cadeia
O setor criou 51 mil vagas formais em 2025, somando 2,125 milhões de empregos diretos na indústria de transformação. Considerando toda a cadeia, o emprego chega a 10,6 milhões, equivalente a 10,3% da população economicamente ativa. A massa salarial cresceu 9,94%.
O custo industrial subiu 5,1% no período, influenciado por diesel, gás natural, energia elétrica e embalagens. Mesmo assim, o setor abriu 850 fábricas em 2025, totalizando 42 mil empresas, 93% delas micro, pequenas ou médias.
Regionalização e relações com o campo
O Sudeste liderou a geração de valor, seguido pelo Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. A produção interna de 211 milhões de toneladas representa grande parte do consumo, com o food service em recuperação gradual e potencial para superar 30% do mercado interno.
A indústria mantém forte ligação com a agricultura familiar, comprando 68% da produção familiar. No cacau, suínos e aves, bovinos, trigo e leite, os percentuais são ainda mais expressivos. Dornellas ressalta que a relação com o campo vai além do grande agro, envolvendo famílias em todo o país.
Comércio externo e desafios globais
A posição do Brasil como maior exportador mundial de alimentos industrializados em 2025 foi consolidada, com 66,7 bilhões de dólares em exportações. O superávit do setor atingiu 57,5 bilhões de dólares, cerca de 84% do superávit total do país. A Ásia é o principal destino, com a China no topo, seguida por EUA, Holanda, Indonésia e Japão.
O conflito no Oriente Médio é monitorado pela indústria, que registra impactos mais reflexos na volatilidade de combustíveis. Tarifas dos EUA frearam o ritmo das exportações, reduzindo o crescimento anual de 3% a 4% para 0,7%, causando perda estimada entre 500 milhões e 1 bilhão de dólares.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a ABIA projeta crescimento de 2% a 2,5% nas vendas do setor, alinhado ao avanço esperado do PIB entre 1,8% e 2%. As oportunidades de emprego devem subir entre 1% e 1,5%. A organização aposta em exportações próximas a 70 bilhões de dólares, com novidade no Mercosul-UE.
Apoiar o acesso ao mercado europeu é visto como prioridade. Dornellas destaca que o acordo com a UE pode ampliar a atuação brasileira, com benefício potencial para quase 720 milhões de consumidores na região.
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