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O que está por trás do sucesso de Milei

Argentina registra estagflação, com inflação acima de trinta por cento ao ano e fechamento de fábricas, impactando emprego e indústria

Realidade e fantasia. Enquanto a população enfrenta o desemprego e a queda na renda, o “libertário” ataca a oposição no Congresso e arrocha os trabalhadores – Imagem: Tomas Cuesta/Getty Images/AFP e Alejandro Pagni/AFP
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  • O presidente argentino Javier Milei abriu o Congresso em 1º de março e dedicou boa parte de seu discurso a atacar a oposição, destacando aprovações de reforma trabalhista e redução da maioridade penal.
  • A economia demonstra estagflação, com inflação acima de 30% ao ano e fechamento diário de fábricas por falta de demanda ou de importações.
  • Dados oficiais e de consultorias indicam queda acentuada na indústria, com cerca de 73 mil empregos perdidos e fechamento de 2.436 fábricas.
  • Projetos de obras públicas foram drasticamente reduzidos, impactando construção, infraestrutura e saneamento básico.
  • Mesmo com setores como agricultura e finanças relativamente resilientes, economistas apontam desaceleração do crescimento e inflação em alta, sinalizando trajetória de estagflação.

Na abertura das sessões do Congresso em 1º de março, o presidente argentino Javier Milei apresentou discursos duros contra a oposição, destacando aprovação de reformas trabalhista e da redução da maioridade penal. O tom agressivo chamou atenção, mas não mascarou os problemas econômicos do país.

A inflação permanece acima de 30% ao ano. Fábricas fecham com frequência devido a importações e à fraqueza da demanda interna. Economistas ressaltam que o país enfrenta estagflação: combinação de estagnação e alta de preços.

Defesa de Milei e impactos econômicos

Milei sustenta ter evitado hiperinflação desde o início do mandato, em 10 de dezembro de 2023, citando números que não são corroborados por especialistas. Dados oficiais apontam inflação de dois dígitos e índices superiores aos de vizinhos latino-americanos.

A indústria argentina registra queda acentuada. A Audemus indica retração média de 7,9% em 2024 frente a 2023, segundo a ONU-ODI, sendo a segunda maior queda entre países. O Brasil e o Chile apresentaram crescimento industrial no período.

O fechamento de fábricas é expressivo: 2.436 estabelecimentos encerraram atividades e 72.955 empregos foram perdidos no setor. Em paralelo, a construção civil também caiu 16% em 2024-2025, com cortes em obras públicas.

Mudanças e reações setoriais

Setores de agricultura, finanças e mineração sustentam parte da atividade, ainda que com menor geração de empregos. O governo cortou programa de obras públicas, impactando infraestrutura, saneamento básico e manutenção de rodovias.

A fábrica FATE, com 80 anos de atuação, encerrou atividades e demitiu 920 trabalhadores, símbolo do atual ajuste setorial. Economistas divergem sobre a intensidade da estagflação, mas apontam tendência de desaceleração com inflação em alta.

Autoria de especialistas aponta que, mesmo com apoio de agricultura e intermediação financeira, a economia caminha para estagflação, com menor poder de compra e queda no ritmo da atividade fabril, construção e comércio.

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