- No terceiro dia dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a seguradora de navios-tanque ficou em alerta, com a equipe de Tsakos em Londres buscando coberturas para três embarcações na região do Golfo Pérsico.
- As tarifas de fretamento chegaram a 110 mil dólares por dia no final de janeiro, subindo de 70 mil dólares, com possível aumento a 160 mil dólares para alguns navios após os ataques ao Irã.
- As interrupções de rotas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz elevam a demanda por navios-tanque, impulsionando as ações de empresas do setor e valorizando fortunas dos maiores proprietários de navios.
- A valorização das ações das empresas de navegação — como Tsakos Energy Navigation e Frontline — contribuiu para que a soma das fortunas dos 13 bilionários do setor subisse mais de cinquenta por cento no último ano, acima de 130 bilhões de dólares.
- A maior parte do aumento de demanda vem da repressão à frota sombra e do retorno de petróleo venezuelano ao mercado, com expectativa de ganhos para transportadoras que operam dentro de sanções e para futuros fluxos de petróleo, dependendo do desfecho do confronto.
No terceiro dia de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o magnata do transporte de petróleo Nikolas Tsakos viu crescer a pressão por seguros para seus navios-tanque que operam próximo ao Golfo Pérsico. A equipe em Londres reportou repetidas ligações para garantir coberturas diante da escalada de retaliações iranianas a instalações energéticas na região.
A crise impulsionou tarifas de fretamento a níveis recordes. No fim de janeiro, uma embarcação de Tsakos chegou a cobrar até 110 mil dólares por dia para a Venezuela; com os ataques ao Irã, a cobrança pode alcançar 160 mil dólares por dia. O Mediterranean Voyager foi um dos navios que carregou petróleo venezuelano logo após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
A alta de tarifas está ligada a interrupções nas rotas marítimas no Mar Vermelho e no Estreito de Hormuz, pelas ações de grupos apoiados pelo Irã que atacam navios e bloqueiam a passagem de uma rota que atende cerca de 20% do petróleo mundial. Isso elevou a demanda por navios-tanque com operações em conformidade com sanções.
Mercado e fortunas no setor
As ações de Tsakos Energy Navigation subiram cerca de 69% no ano, com ganhos recentes após a intensificação dos confrontos no Irã. A empresa de ocios de navios-tanque também se beneficiou do aquecimento na demanda de frete e da recuperação de cargas venezuelanas.
A atuação de outras grandes operadoras surge neste contexto. A Frontline, controlada de forma relevante pelo bilionário John Fredriksen, teve alta superior a 90% nos últimos 60 dias. A valorização dessas companhias elevou a riqueza dos 13 maiores proprietários de navios-tanque para mais de 130 bilhões de dólares no último ano.
Movimentação de frota e impactos
Antes dos confrontos, a demanda por VLCCs já crescia, com a Sinokor, empresa sul-coreana, investindo mais de 2,5 bilhões de dólares na compra de várias grandes embarcações para compor uma das maiores frotas do mundo. A operação também envolve rumores de intermediação com a MSC, maior operadora de contêineres, ligada ao bilionário Gianluigi Aponte.
O aumento no valor dos navios usados chegou a superar 100 milhões de dólares cada, segundo avaliações de Veson Nautical e Signal Group. Analistas destacam que o mercado de frete marítimo está se fortalecendo à medida que a frota cinza, associada a rotas sancionadas, é progressivamente substituída por fretamentos legítimos.
Perspectivas e cenário geopolítico
Operadores lembram que a atual valorização pode permanecer no curto prazo, caso o conflito se prolongue e as sanções influenciem ainda mais o fluxo de petróleo. Caso haja resolução do regime no Irã, o petróleo iraniano pode retornar ao mercado, alterando o cenário para as maiores empresas de transporte marítimo.
Especialistas ressaltam que a China continua como grande comprador de petróleo iraniano, mas a continuidade das exportações depende de condições geopolíticas. Enquanto isso, a demanda por navios-tanque tende a permanecer elevada, beneficiando as empresas do setor no cenário atual.
Matéria originalmente publicada em Forbes.com
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