- No fim de semana, o narcotraficante Nemesio “El Mencho” Oseguera foi morto após um confronto de cinco horas em Tapalpa, Jalisco, no México.
- El Mencho liderava o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), considerado um dos maiores do país, com ativos estimados em US$ 50 bilhões (R$ 263 bilhões).
- O CJNG opera além do tráfico de drogas, atuando também em extorsão, tráfico de pessoas, roubos de combustível e fraudes; o império deveria permanecer sob o controle de familiares e aliados após sua morte.
- Autoridades dos Estados Unidos e do México buscam rastrear ativos físicos, dinheiro lavado e estruturas de fachada usadas pelo CJNG, incluindo ligações com o braço financeiro Los Cuinis.
- Especialistas ressaltam a dificuldade de confiscar toda a fortuna, dado o uso de diversas formas de ocultação financeira e redes internacionais; o dinheiro pode seguir distribuído em propriedades, empresas, criptomoedas e investimentos.
Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, foi morto neste domingo após um confronto armado que durou cinco horas em Tapalpa, Jalisco. A operação, realizada por forças de segurança mexicanas, teve início após pistas sobre o paradeiro do líder do CJNG e levou à confirmação de seu falecimento durante a ofensiva.
A matança ocorreu em uma cabana de luxo em um condomínio turístico, onde El Mencho passava o fim de semana com uma acompanhante. As autoridades afirmam que o confronto foi promovido pela localização do fugitivo, que era um dos criminosos mais procurados do país.
El Mencho deixou para trás o Cartel Jalisco Nova Geração, uma das duas maiores organizações de tráfico de drogas do México. O CJNG atua ainda em áreas como extorsão, tráfico de pessoas e crimes financeiros, segundo avaliações de autoridades e especialistas.
A trajetória do CJNG e a riqueza associada
Fundado em 2009, o CJNG surgiu como dissidência de um cartel rival e ganhou notoriedade pela brutalidade e pela organização. O grupo se expandiu para várias atividades ilícitas, com atuação em diversas regiões do México.
Estimativas de 2017 apontaram ativos do CJNG na casa dos US$ 50 bilhões, valor que, conforme analistas, poderia incluir propriedades, empresas, ações, criptomoedas e investimentos internacionais. A fortuna pessoal de El Mencho foi avaliada por algumas fontes como potencialmente entre centenas de milhões e bilhões de dólares.
O cartel passou a enfrentar uma duração de poder com redução de força de concorrentes e fragmentação de redes rivais, mantendo operações mesmo diante de pressões legais e ações de combate ao crime organizado.
Operações de rastreio e o legado financeiro
Autoridades dos EUA e do México trabalham com bancos para identificar ativos físicos e fluxos financeiros associados a El Mencho. O objetivo é confiscar propriedades, veículos, aeronaves e dinheiro ligado ao tráfico, inclusive por meio de instituições financeiras.
Historicamente, parte da estrutura financeira do CJNG esteve ligada a Los Cuinis, rede próxima aos irmãos de El Mencho, especializada em lavagem de dinheiro e investimentos internacionais. Especialistas lembram que o fluxo financeiro muitas vezes é camuflado por meio de empresas de fachada e transações complexas.
Mesmo com a morte, especialistas indicam que o império pode continuar operando por meio de familiares e aliados próximos, mantendo a capacidade de gerar receita e sustentar redes criminosas. A continuidade não depende apenas da liderança, mas da infraestrutura de negócios ilícitos já estabelecida.
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