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Escola e prevenção da automutilação em adolescentes

Escola é o primeiro espaço a detectar automutilação, mas falta formação e rede integrada agrava a desassistência aos adolescentes

Alunos do ensino médio
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  • A OPAS apontou, em 2025, que problemas de saúde mental respondem por 16% das doenças e lesões entre adolescentes; no Rio de Janeiro, 2023 registrou 13.007 notificações de autolesão, com 25% envolvendo adolescentes.
  • Autolesão é definida como ato intencional que pode causar lesões físicas ou psicológicas, com áreas comuns de origem em punhos, antebraços, coxas, barriga e pernas.
  • Estudo da PUC-Rio com profissionais de escolas públicas do estado do Rio reforça o papel da escola na identificação e no manejo inicial do fenômeno, além da necessidade de redes de cuidado envolvendo família, escola e Estado.
  • Os entrevistados apontam acolhimento e escuta sem julgamentos, comunicação cuidadosa com a família e encaminhamentos a saúde mental, além de notificação ao Conselho Tutelar conforme a Lei nº 13.819/2019, como práticas comuns.
  • Desafios incluem falta de formação continuada, sensação de despreparo, estigmatização e sobrecarga de educadores; há necessidade de investimento em recursos humanos e integração entre educação, saúde e proteção social para atuação mais eficaz.

A automutilação entre adolescentes ganha atenção especial da escola. Dados da OPAS indicam que problemas de saúde mental respondem por 16% das doenças entre jovens. No RJ, 2023 registrou 13.007 notificações de autolesões, 25% envolvendo adolescentes. Fontes destacam crescimento do fenômeno nas últimas décadas.

Estudo conduzido na PUC-Rio ouviu 10 profissionais que atuam com adolescentes em escolas públicas. Professores, orientadores educacionais e psicólogas analisaram o manejo do tema e a importância de redes de cuidado entre escola, família e Estado.

A pesquisa mostra que o acolhimento inicial pela escuta sem julgamentos é a primeira etapa para a interrupção do ciclo da autolesão. Em seguida, orientações à família e encaminhamentos para saúde mental ou assistência social aparecem como etapas-chave.

Os relatos indicam que a escola costuma notificar o Conselho Tutelar, conforme a Lei 13.819/2019, mas também ressaltam a necessidade de formação técnica contínua. Profissionais enfatizam lacunas de preparo para lidar com a temática.

O papel da escola

Profissionais destacam que, por estar em contato direto com o público infantojuvenil, a escola é capaz de detectar mudanças comportamentais relevantes, como isolamento ou tristeza, mais rapidamente do que outras instituições.

Mesmo assim, a articulação com famílias ainda é um desafio. A relação entre escola e família pode tensionsar-se pela diferença de papéis, o que compromete a continuidade do cuidado informado pela Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.

Trabalho em rede

A pesquisa aponta a necessidade de uma rede integrada entre escola, serviços do SUS (CAPSi) e assistência social (Conselhos Tutelares). A prática, porém, ainda é marcada por atuação segmentada e encaminhamentos pontuais.

Conforme os entrevistados, há sobrecarga de educadores que, além das tarefas pedagógicas, lidam com questões emocionais dos alunos. O estudo indica que o cuidado deve envolver recursos humanos adequados na educação básica.

Investimento e formação

Os profissionais destacam a necessidade de investimentos estatais em estrutura e formação continuada. Não se busca transformar educadores em psicoterapeutas, mas oferecer ferramentas para manejo adequado e encaminhamentos eficientes.

A pesquisa reforça a importância de integrar a rede de ensino a um sistema de saúde e proteção social. A efetivação de políticas públicas já existentes é apontada como prioridade para ampliar o cuidado aos adolescentes.

O estudo foi realizado pelo LEFaC, no Departamento de Psicologia da PUC-Rio, com adolescentes atendidos em escolas públicas do Rio de Janeiro. Os resultados enfatizam o papel da escola como espaço de cuidado e prevenção.

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