Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Vorcaro desviava recursos do Master para familiares, segundo investigações

Saldo de R$ 2,2 bilhões em conta do pai de Vorcaro alimenta apuração de desvios no Banco Master; defesa contesta cifra

Logotipo do Banco Master em parede texturizada. À esquerda, símbolo estilizado em azul com letras brancas; à direita, nome 'Banco Master' em letras brancas.
0:00
Carregando...
0:00
  • Investigações apontam que Daniel Vorcaro desviou dinheiro do Banco Master para ele, familiares e sócios por meio de CDBs, empréstimos a empresas controladas por laranjas e fundos de investimento do próprio banco.
  • A PF identificou uma conta de Henrique Moura Vorcaro com saldo de mais de R$ 2,2 bilhões, conforme decisão judicial que autorizou operações da Polícia Federal.
  • Os recursos teriam ido para empresas ligadas ao desvio, entre elas a Clínica Mais Médico, via fundos de investimento controlados pelo Master.
  • A defesa de Henrique Vorcaro negou a titularidade da conta de R$ 2,2 bilhões e pediu acesso à documentação da PF; outras defesas não se manifestaram de forma unificada.
  • A investigação descreve esquema de inflar ativos e usar fundos para financiar empréstimos a empresas, com desvio envolvendo mais de R$ 3,5 bilhões investidos, segundo a PF.

O Banco Master, liquidado pelo Banco Central no ano passado, figura como cenário de uma suposta engrenagem de desvios. Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro e familiares teriam utilizado a instituição para transferir recursos para o próprio bolso e para gente próxima. A investigação baseia-se em documentos da PF sobre o caso Master.

A PF aponta que a contabilidade do grupo envolvia contas ligadas a Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, com saldos que superavam 2,2 bilhões de reais. Vorcaro já havia sido preso em novembro e voltou a ser detido neste mês, em nova fase da operação. A defesa do pai nega a titularidade da conta citada.

Além dele, a lista de supostos destinatários inclui a irmã, Natalia, o primo Felipe e parentes de João Carlos Mansur, dono da administradora Reag, que era o último elo para fundos de investimento usados no esquema. Representantes de Mansur não se manifestaram até o momento.

Na defesa de Henrique Vorcaro, foi afirmado que não haveria conta de 2,2 bilhões na Reag. O advogado pediu ao STF informações objetivas para checar a documentação apresentada pela PF. A nota do grupo, emitida neste domingo, nega desvio de recursos e ressalta a venda com o Grupo Promed à Hapvida como operação legítima.

A Folha tentou contato com a defesa de Daniel Vorcaro, sem obter resposta. Também foram buscados contatos de Natalia, Felipe e de advogados de Mansur, sem retorno até a publicação.

A ENGRENAGEM

A PF detalha um circuito para transferir recursos do Master para terceiros, por meio da venda de CDBs, empréstimos simulados a empresas de laranjas e fundos de investimento. O dinheiro sairia dos cofres do banco e chegaria a ligados a Vorcaro.

Segundo as apurações, o esquema começou com a venda de CDBs a investidores, com remuneração acima da média, captando recursos que superaram 50 bilhões de reais. Parte desses recursos seria destinada a fundos de crédito com o Master como único cotista.

Dentro desses fundos, os valores eram usados para empréstimos a empresas ligadas a Vorcaro, à família e a sócios, caracterizando operações sem finalidade real de investimento produtivo. O dinheiro seguia por uma trilha de CNPJs de fundos e empresas.

Entre os resultados, a PF aponta que parte dos recursos desviados voltou ao Master por meio de fundos administrados pela Reag, o que alimentaria novas operações com desvio de ativos. Em alguns casos, o dinheiro financiou a Clínica Mais Médico, ligada a um laranja próximo ao grupo.

A investigação ainda aponta que investimentos feitos pelo Master em fundos de investimento, mantidos pelo banco, eram usados para inflar ativos e facilitar novos lançamentos de CDBs. O objetivo seria ampliar o valor dos ativos do banco e justificar mais captações.

Consultado, o advogado Adilson Bolico menciona que captar recursos de pessoas físicas e direcioná-los a empréstimos fictícios e fundos ligados a laranjas caracteriza gestão fraudulenta de instituição financeira e pode configurar lavagem de dinheiro.

Na avaliação legal, crimes de gestão fraudulenta em instituições financeiras têm pena de 3 a 12 anos, acrescida de multa, enquanto a lavagem de dinheiro pode ter 3 a 10 anos, com possibilidade de aumento conforme repetição ou organização criminosa.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais