- As ações de companhias aéreas caíram e os preços das passagens subiram, com a intensificação da guerra entre EUA/Israel e Irã e o petróleo em alta; o Brent chegou a subir até 29% em alguns momentos.
- Na Ásia, as perdas foram significativas: Korean Air Lines caiu 8,6%, Air New Zealand perdeu 7,8% e Cathay Pacific teve queda de 5%.
- O preço de voos diretos também aumentou: Seul para Londres, em 11 de março, passou de US$ 564 para US$ 4.359, segundo dados do Google Flights.
- Na Europa e nos EUA, cotações de ações recuaram entre 4% e 6% para Air France KLM, IAG e Lufthansa; as principais companhias americanas também recuaram em pré-mercado, cerca de 4%.
- Realidade do setor: sem alívio rápido, pode haver milhar de aeronaves em solo; até 8 de março, mais de 37 mil voos entre/para o Oriente Médio foram cancelados desde 28 de fevereiro, segundo a Cirium.
As ações das companhias aéreas caíram nesta segunda-feira, 9 de março, enquanto o preço das passagens subiu expressivamente. A intensificação do confronto entre EUA, Israel e Irã elevou o preço do petróleo, alimentando temores de queda na demanda e de paralisação de voos.
O petróleo Brent chegou a subir acima de 15% durante o dia, com rally interrompido por poucos minutos em que chegou a atingir quase 29%. Analistas apontam riscos de interrupções prolongadas no transporte marítimo e em voos, diante do espaço aéreo restrito.
Na Ásia, as bolsas reagiram com quedas entre as principais companhias. Korean Air Lines caiu 8,6%, Air New Zealand perdeu 7,8% e Cathay Pacific recuou 5%. O impacto setorial se reflete tanto em ações quanto na precificação de bilhetes.
Valores e demanda sob pressão
Os preços das passagens começaram a subir rapidamente. Em uma rota direta Seul-Londres, a passagem da Korean Air subiu de US$ 564 para US$ 4.359 em um intervalo de sete dias, segundo dados do Google Flights.
Especialistas destacam que a demanda pode recuar conforme os custos aumentem. Lorraine Tan, da Morningstar, afirma que viagens de lazer podem ficar menos viáveis e viagens de negócios serem limitadas pela incerteza econômica.
Esse quadro pode manter pressão sobre o setor ao longo de 2026, com efeitos ainda mais acentuados se o petróleo permanecer em patamar elevado. Com isso, as margens das companhias aéreas devem enfrentar custos adicionais com combustível e logística.
Repercussões globais
Na Europa, Air France KLM, IAG e Lufthansa registravam quedas entre 4% e 6% no início das negociações. Nos EUA, as principais companhias também recuavam em torno de 4% no pré-mercado, em movimento generalizado de aversão ao risco.
O combustível representa boa parte das despesas operacionais, entre 20% e 25%. Algumas companhias já utilizam hedge contra petróleo, mas outras — especialmente nos EUA — reduziram essa prática nas últimas décadas, o que aumenta a sensibilidade aos preços.
Analistas do Deutsche Bank destacaram que sem alívio rápido, milhares de aeronaves podem permanecer no solo, com agravamento financeiro para empresas mais fragilizadas. O histórico de 2005 é citado como referência de choque de custos no setor.
Cenário internacional e rotas
Entre 28 de fevereiro e 8 de março, mais de 37 mil voos entre o Oriente Médio e o restante do mundo foram cancelados, segundo a Cirium. Com o espaço aéreo restrito, companhias redirecionam rotas, transportam combustível extra ou realizam paradas para reabastecimento.
Em média, Emirates, Qatar Airways e Etihad representam uma parcela significativa do trânsito entre Europa, Ásia e Pacífico. O reforço de rotas alternativas é uma resposta imediata à redução de espaço aéreo, dificultando operações globais.
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