- Cosan espera novos desdobramentos sobre o plano de capitalização da Raízen nos próximos dias, com engajamento de credores, da Shell e de Rubens Ometto.
- Raízen analisa proposta liderada pela Shell de capitalização de R$ 4 bilhões, incluindo aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de veículo da família de Rubens Ometto, com possível recuperação extrajudicial.
- Cosan teve prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre; a dívida líquida da Raízen chegou a R$ 55,3 bilhões em dezembro.
- Cosan não participa diretamente da capitalização, destacando que a estrutura de capital deve considerar negócios distintos da Raízen (produção de açúcar/etanol e distribuição de combustíveis).
- A companhia busca zerar a alavancagem da holding via venda de ativos, feitas de forma oportunista e sem vender tudo a qualquer preço; há menção à Compass Gás e Energia e à possível venda de participação na Rumo.
O conglomerado Cosan aguarda novos desdobramentos sobre o plano de capitalização da Raízen, companhia de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis na qual a Cosan e a Shell são sócias. A declaração ocorreu durante teleconferência nesta terça-feira, 10, quando o executivo reiterou a expectativa de uma solução que atenda ao mercado. A Raízen enfrenta um processo de reorganização para remunerar credores e reduzir o peso da dívida.
O CEO da Cosan, Marcelo Martins, informou que há engajamento forte com credores, com a Shell e com Rubens Ometto, integrante do grupo controlador da Cosan. Também participa da discussão a Aguassanta, veículo de aporte de capital vinculado aos acionistas. A intenção é conduzir uma solução de capitalização que resolva definitivamente a situação da Raízen.
A Raízen já sinalizou uma proposta liderada pela Shell para capitalização de cerca de 4 bilhões de reais, incluindo aporte de 3,5 bilhões da Shell e 500 milhões de um veículo ligado à família Ometto. A empresa também indicou que pode haver uma recuperação extrajudicial para tratar a crise de endividamento.
A Cosan reportou prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais no quarto trimestre, ante 9,3 bilhões de reais no mesmo período de 2024. Martins afirmou que a estrutura de capital precisa respeitar as particularidades dos diferentes negócios do grupo, principalmente quanto à geração de caixa e à alocação de capital.
O executivo reforçou que o envolvimento direto da Cosan na capitalização não está mais ativo, conforme comunicado ao mercado. Mesmo assim, acionistas e conselheiros acompanham a evolução e esperam novos desdobramentos nos próximos dias para encontrar uma saída adequada para a Raízen.
Sobre a natureza da participação da Cosan, Martins ressaltou que a não separação dos negócios da Raízen — produção de açúcar/etanol e distribuição de combustíveis — complica a estrutura de capital. A separação permitiria gestão de caixa distinta para cada segmento, afirmou. No momento, porém, a Cosan não impõe condições nem faz aporte adicional.
A dívida líquida da Raízen chegou a 55,3 bilhões de reais no fim de dezembro, puxada por investimentos, condições climáticas adversas e altas taxas de juros. As ações da Cosan subiam mais de 7%, enquanto as da Raízen caíam cerca de 1,8% por volta das 14h15, no horário de Brasília.
O CEO destacou que a Cosan busca zerar a alavancagem da holding, com estratégias que incluem venda de ativos, desde que não haja prejuízo para a sustentabilidade do grupo. A dívida líquida expandida do corporativo da Cosan fechou o trimestre em 9,8 bilhões de reais, após entrada de recursos com ofertas públicas de ações e aporte de capital em novembro.
Martins afirmou ainda que a venda de ativos deve ser realizada de forma oportunista, buscando o melhor retorno. Não houve sinalização de venda específica de ativos, nem pressão para acelerar a desalavancagem com descontos. A Cosan também não descartou a possibilidade de futuras operações, inclusive envolvendo a Rumo, desde que haja condições adequadas para o negócio.
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