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GPA: de maior varejista do Brasil a empresa em recuperação extrajudicial

GPA protocolou recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais, buscando manter a operação estável

Grupo fundado em 1948, que já teve receita de R$ 77 bilhões e empregava 170 mil pessoas, recorreu à renegociação às vésperas de vencimentos de R$ 1,7 bilhão em dívidas
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  • O GPA protocolou, na manhã de 10 de agosto, pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais; adesão de 46% dos credores já foi confirmada, e a homologação exige apoio de 50% mais um.
  • O plano visa reorganizar o perfil de endividamento sem afetar operações, com o presidente Alexandre Santoro afirmando que a empresa continua funcionando normalmente.
  • No balanço de fins de 2025, a dívida líquida totalizava R$ 2 bilhões; entre os vencimentos, cerca de R$ 500 milhões vencem em maio e entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão estão programados para julho.
  • O GPA passou a ser o quinto maior grupo do setor, depois de perder espaço para a rede Supermercados BH, perdendo posições ao longo de 2024 e 2025; a Via Varejo deixou de integrar o grupo em 2019.
  • A empresa já havia passado por desmembramentos de ativos nos últimos anos, incluindo o Assaí, a Via Varejo e as operações de hipermercados, enquanto o Casino detém participação relevante no GPA.

O GPA, Grupo Pão de Açúcar, encaminhou nesta terça-feira, 10, pedido de recuperação extrajudicial visando renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. A medida busca reorganizar o perfil de endividamento sem interromper operações.

Na prática, o plano apresentado envolve credores não garantidores, com adesão de 46% até o momento. A homologação depende de ao menos 50% mais um credor concordar com o acordo.

Segundo o fato relevante, o pedido ocorre diante de dívidas que pesam sobre a companhia, com vencimentos significativos em 2026. A gestão diz que a operação continuará funcionando normalmente durante o processo.

O GPA divulgou que, no quarto trimestre de 2025, houve prejuízo líquido de R$ 572 milhões, queda de 48,2% ante 2024. A auditoria Deloitte aponta déficit de capital circulante de cerca de R$ 1,224 bilhão ao fim de 2025.

O endividamento inclui empréstimos e debêntures com vencimento em 2026, somando mais de R$ 1,7 bilhão. Cerca de R$ 500 milhões vencem em maio; R$ 1,2 a 1,3 bilhão, em julho, pressionando a liquidez.

Entre as informações, o GPA informou que não envolve pagamentos a fornecedores, aluguéis ou salários no âmbito da recuperação. A empresa ressalta que a operação continua estável e em funcionamento.

O CEO, Alexandre Santoro, assumiu há dois meses e orienta a reestruturação das dívidas não operacionais, sem impactar compras, lojas ou salários. O board aprovou a decisão por unanimidade.

O grupo também detalha que, nos balanços, a dívida líquida inclui recebíveis de cartão de crédito não antecipados. A pressão financeira se intensificou com juros altos no período.

Historicamente, o GPA já foi líder do varejo brasileiro, com faturamento próximo de R$ 77 bilhões em 2015 e fundo de mercado de US$ 10 bilhões. Em 2025, o grupo registrou faturamento de R$ 20,6 bilhões e cerca de 37 mil funcionários.

Entre 2007 e 2015, o GPA ampliou negócios ao adquirir Assaí, Ponto Frio e Casas Bahia, consolidando-se como maior empregador privado do Brasil. Posteriormente, partes dessas empresas foram desmembradas.

O conjunto de atos de gestão ao longo dos anos resultou na separação da Via Varejo, desmembramento do Assaí e venda de ativos, incluindo participação na Globex. Em 2021, o Assaí saiu da operação do GPA.

A partir de 2019, a Via Varejo voltou a operar com a família Klein, enquanto a participação do Casino ficou com o GPA. Em 2023, o GPA vendeu ações na Colômbia, mas já acumulava passivos relevantes no Brasil.

Atualmente, o Casino mantém 22,5% do GPA, enquanto a família Coelho Diniz detém 24,6%. Analistas destacam que a gestão anterior pressionou o capital, dificultando a sustentabilidade financeira.

Especialistas indicam que a recuperação extrajudicial pode reequilibrar o crédito não operacional do GPA. O objetivo é manter a continuidade operacional e criar condições para futuras evoluções.

O GPA foi criado em 1948 e, ao longo dos anos, moldou o varejo brasileiro por meio de marcas como Pão de Açúcar, Extra e Casas Bahia. O grupo também atuou no e-commerce e no formato de proximidade.

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