- A Raízen protocolou hoje à noite um plano de recuperação extrajudicial envolvendo dívidas de R$ 65 bilhões, com apoio de credores que representam mais de 40% do total.
- O acordo prevê um standstill de 90 dias a partir de amanhã, durante os quais serão negociados um plano de reestruturação financeira e o caixa da empresa.
- A Raízen tem cerca de 17,3 bilhões de reais em caixa no final de dezembro; bancos detêm aproximadamente metade da dívida, enquanto detentores de CRAs e debenturistas possuem a outra metade.
- O plano prevê conversão de dívida em equity em cerca de 40%, buscando reduzir a alavancagem para aproximadamente 3x EBITDA e tornar a estrutura de capital mais saudável.
- A capitalização do plano depende de investimento da Shell de 3,5 bilhões de reais, além de aporte de 500 milhões de Rubens Ometto, enquanto o spin-off do negócio de distribuição foi rejeitado em etapa anterior.
A Raízen protocolou nesta noite um plano de recuperação extrajudicial, arrolando dívidas de cerca de R$ 65 bilhões. O acordo foi apresentado com apoio de credores que representam mais de 40% do total. A informação foi confirmada por pessoas a par do assunto.
O standstill, suspensão de juros e principal, vale por 90 dias a partir de amanhã. Durante esse período, a empresa e os credores negociarão um plano definitivo de reestruturação financeira.
A Raízen é representada pelo escritório E. Munhoz Advogados e pela Rothschild & Co. A empresa incluiu na recuperação extrajudicial dívidas concursais de R$ 65 bilhões, segundo fontes.
Ao final de dezembro, a Raízen apresentava cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa, conforme dados internos. Bancos respondem por aproximadamente metade da dívida; os demais fundos são de bondholders, CRAs e debenturistas.
O plano prioriza manter o caixa da companhia estável, especialmente com a safra de cana se aproximando e demanda de capital de giro maior. O turnaround operacional segue sob a liderança do CEO Nelson Gomes.
A Raízen continuará pagando fornecedores normalmente, com o standstill suspendendo apenas o serviço das dívidas financeiras. O objetivo é preservar liquidez durante a renegociação.
Antecedentes e próximos passos
Após a rejeição de um spinoff de distribuição de combustíveis, o plano de capitalização atual depende, entre outros pontos, da oferta da Shell de injetar R$ 3,5 bilhões e do aporte de R$ 500 milhões prometido por Rubens Ometto.
A discussão com credores deve prever a conversão de dívida em equity em cerca de 40%, para reduzir a alavancagem a aproximadamente 3x EBITDA. A meta é tornar a estrutura de capital mais estável e saudável.
Entre na conversa da comunidade