- A Raízen entrou com recuperação extrajudicial para reestruturar um passivo de R$ 65 bilhões; a empresa não oferece garantias reais em seus títulos.
- Houve venda em bloco de R$ 8 milhões de CRAs a 40% do valor de face, e um CRA de R$ 600 milhões que venceria na segunda-feira opera a cerca de 30% do face.
- Em média, CRAs e outros títulos locais negociam em torno de 40% do face, enquanto bonds ficam próximos de 50% do face.
- Os CRAs são majoritariamente detidos por pessoas físicas, que costumam vender em momentos de tensão de liquidez.
- Credores que respondem por 47% da dívida apoiam o plano de suspender o principal e os juros por 90 dias; a reestruturação prevê conversão em participação (equity) e alongamento de prazos.
Os CRAs da Raízen enfrentam novo patamar de precificação após a empresa solicitar recuperação extrajudicial, visando reorganizar um passivo estimado em R$ 65 bilhões.
Um gestor de crédito privado relata venda em bloco de R$ 8 milhões de CRA a 40% do valor de face. Outro título, um CRA de R$ 600 milhões com vencimento na próxima segunda-feira, negocia a cerca de 30% do valor de face, o maior desconto do mercado doméstico.
A Raízen possui aproximadamente R$ 25 bilhões em bonds e R$ 11 bilhões em títulos de crédito no Brasil, com metade em debêntures e metade em CRAs. Não há garantia real associada a nenhum papel.
Na prática, a média dos títulos emitidos no mercado local fica em torno de 40% do face, próximo da semana anterior. Os bonds operam perto de 50% do face, segundo a plataforma Vitrify.
Os CRAs são majoritariamente detidos por pessoas físicas, que tendem a vender nesses momentos de tensão, segundo gestores ouvidos pela reportagem. A liquidez é baixa, o que amplifica as oscilações de preço.
Avanço da recuperação e sinal de credores
Os gestores observam uma suposta inovação na recuperação extrajudicial da Raízen: o apoio de parte dos credores ao standstill antes de um plano de reestruturação. O movimento pode acalmar fornecedores e empregados, mas também indica negociação menos agressiva com credores.
A Raízen informou que credores que respondem por 47% da dívida apoiam o plano de suspender o pagamento do principal e dos juros por 90 dias. O passo seguinte envolve a reestruturação ampla do passivo, incluindo conversão em equity e alongamento de prazos.
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