- A Polícia Federal investiga um dossiê apócrifo encontrado nos arquivos de Daniel Vorcaro que atribui fraudes do banco Master a ex-sócios e diretores, contribuindo para a liquidação da instituição.
- O documento, de uma página, não é assinado e aparece em uma foto de 2022 armazenada no e-mail de Vorcaro; a PF apura o conteúdo.
- O texto cita Augusto Lima como peça central do esquema, descrevendo Vorcaro como “laranja” e acusando Lima de ficar com o lucro das operações fraudulentas.
- Afirma que o Credcesta, empréstimo consignado para servidores baianos, seria operação principal do Master, com suposta relação com prejuízos do FGC estimados em 52 bilhões de reais.
- Defesas de envolvidos — incluindo Lima, Luiz Bull, Angelo Silva e Nelson Tanure — rejeitam o conteúdo do dossiê; Vorcaro não se manifestou até o momento.
Um dossiê apócrifo, encontrado pela Polícia Federal nos arquivos de Daniel Vorcaro, atribui fraudes do banco Master a ex-sócios e diretores. O documento, de uma página, aparece em uma foto de 2022 armazenada no e-mail de Vorcaro e não está assinado. A PF investiga as alegações contidas no texto.
A peça traz uma referência direta ao Fundo Garantidor de Crédito e sugere que a conta do Master seria quitada com recursos do FGC. O documento cita Augusto Lima como peça central da suposta operação, descrevendo-o como dono e presidente de fato do Master, enquanto Vorcaro seria apresentado como um laranja. Trechos a que a PF teve acesso apontam um suposto desvio de lucros para a empresa de Lima.
Parte do conteúdo é dirigida de forma pejorativa a Augusto Lima, com menções a supostas regras de governança negativas dentro do banco. Outras passagens associam o patrimônio e a gestão de ativos a um esquema que envolveria o consignado Credcesta, programa de empréstimo a servidores da Bahia, sob suposto controle de Lima.
Dossiê e implicações
Segundo o material, Luiz Bull, ex-diretor de Compliance, e Angelo Silva, ex-sócio, teriam manipulado dados de ativos para transformar prejuízos em lucro, com envolvimento de setores de contabilidade e controladoria. O texto sugere que parte dos ativos era avaliada de forma a esconder problemas de patrimônio líquido.
Defesas citadas na apuração garantem que o conteúdo não possui lastro probatório. A defesa de Luiz Bull afirma que a carta é um manifesto cheio de adjetivos sem base em provas concretas, e que a remuneração de Bull é devidamente declarada às autoridades. A defesa de Angelo Silva não comentou o dossiê até o momento.
O material também menciona Nelson Tanure como um possível sócio oculto e afirma que ele se financiaria por meio do banco, sem que as defesas tenham se manifestado publicamente sobre o tema. A defesa de Vorcaro não respondeu até o fechamento desta edição.
Contexto e histórico
O dossiê cita ainda a relação entre Vorcaro e Augusto Lima, destacando que a sociedade entre eles terminou em 2024. Lima, que havia sido preso com Vorcaro em novembro, é apontado pela PF como figura relevante na condução de produtos do Master, especialmente o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados.
Em 2018, Lima celebrou a aquisição da empresa Bahiana de Alimentos e criou o Credcesta, que se tornou um ativo significativo do Master até 2024. A PF investiga possíveis ligações entre Lima e políticos do PT. Documentos apreendidos e mensagens verificadas indicam conversas de Vorcaro relacionadas à sociedade com Lima, incluindo diálogos de 2024 que sinalizam tensões sobre a relação empresarial.
Entre na conversa da comunidade