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Franklin Templeton revisa crédito no Brasil após balanços questionados

Franklin Templeton reduz exposição por emissor no Brasil após defaults de Americanas e Light, com limites por rating e avaliação mais ampla de emissores

Franklin Templeton muda política de crédito no Brasil: “Não dá para confiar nos balanços”
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  • A Franklin Templeton alterou sua política de crédito no Brasil após defaults de Americanas e Light, reduzindo a exposição por emissor e por rating.
  • Emissões com rating AAA podem representar até 1,5% do portfólio de crédito; ratings A ficam limitados a 0,5% e triple B entram apenas em carteiras de maior risco.
  • Há exceção para grandes bancos classificados como S1 pelo Banco Central, com teto de até 5% devido à regulação adicional.
  • Além do corte quantitativo, a gestora passou a fazer avaliação qualitativa, chegando a considerar informações do CPF do controlador do emissor.
  • O Brasil é o único mercado onde a Templeton aplica essas regras; a gestora tem cerca de R$ 12 bilhões em crédito no país e ajustou carteiras ao novo regime até meados de 2024.

A Franklin Templeton, gestora com cerca de US$ 1,7 trilhão sob gestão, alterou sua abordagem de crédito no Brasil. A mudança foi motivada pelos defaults de Americanas e Light, emissores nos quais os fundos da casa tinham participação.

Adriano Casarotto, portfolio manager de crédito da Franklin Templeton Brasil, ressaltou que a confiabilidade dos balanços foi abalada, mesmo quando auditados. Ele também citou dificuldades de credores não informados pela documentação pública.

Para reduzir riscos, a gestora define limites de exposição por emissor e por rating. Emissões com classificação triple A passam a ter teto de 1,5% do portfólio de crédito.

Antes, o teto era baseado no tamanho da dívida e nas características da emissão, com alguns emissores respondendo por até 3% do portfólio. A nova regra reduz a exposição média.

Casarotto explicou que as condições do mercado local tornaram essa avaliação insuficiente. A Franklin Templeton pretende diminuir a dependência de dados públicos duvidosos.

Companhias com rating A podem representar até 0,5% do portfólio, e emissores com rating triple B entram apenas nas carteiras de maior risco. Bancos grandes, listados como S1 pelo BC, recebem exceção: teto de até 5%.

Além do corte quantitativo, a empresa passou a adotar avaliação qualitativa que perpassa a estrutura de controle, chegando ao CPF da pessoa física que comanda o negócio.

Segundo Casarotto, o Brasil é o único mercado em que a Templeton aplica essas regras, segundo sugestão da equipe local à matriz. A gestora já ajustou as carteiras até meados de 2024.

Nos 18 meses anteriores, a participação de letras financeiras no crédito da casa saltou de 15% para 50%. A instituição afirmou ter aprendido com os episódios de Americanas, Light e Ambipar.

Casarotto destacou que manteria a prudência: evitar perdas externas costuma exigir maior cautela e maior disciplina de governança, mesmo diante de ganhos potenciais.

Paralelamente, a Templeton coopera com a Amec para propor melhorias regulatórias no mercado de crédito brasileiro, incluindo maior transparência e eficiência na recuperação de créditos.

Entre as propostas estão o desbloqueio do SCR aos fundos, ampliando o acesso a dados do sistema de informações de créditos do BC, hoje restrito aos bancos.

Outra sugestão é tornar mais claras as documentações das ofertas de crédito, para que credores entendam posição na estrutura de capital e na fila de pagamentos em cenários de recuperação judicial.

Casarotto também defende a criação de uma conta-reserva para cobrir custos de recuperação de créditos em debêntures, prática já adotada em FIDCs, CRIs e CRAs.

Ele observou ainda que debêntures costumam exigir assembleias para discussões de honorários legais, o que pode atrasar defesas de credores em cenários de inadimplência.

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