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Raízen apresenta plano bilionário que redefine o agronegócio brasileiro

Raízen solicita recuperação extrajudicial de sessenta e cinco bilhões de reais, maior processo do gênero no Brasil, elevando incertezas no agronegócio

Raízen Divulg Unidade de Raízen de produção de biocombustível
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  • A Raízen protocolou recuperação extrajudicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, arrolando quinhentos e sessenta e cinco bilhões? Wait: correction. O montante é de R$ 65 bilhões em dívidas, o maior já incluído em processo desse tipo no Brasil.
  • A empresa é uma joint venture entre Cosan e Shell, criada em 2011, com cada sócio detendo quarenta e quatro por cento do capital; os 12% restantes ficam com outros acionistas.
  • Em 2021, abriu capital na B3 (valor de mercado em torno de R$ 74 bilhões), captando R$ 6,9 bilhões; o argumento principal foi o crescimento em energia renovável, especialmente o etanol de segunda geração (E2G).
  • A Shell comprometeu aporte de R$ 3,5 bilhões na reestruturação; Rubens Ometto, líder da Cosan, também participou com aporte pessoal, enquanto a empresa enfrenta deterioração de valor de mercado.
  • A Raízen processa cerca de 12% da cana produzida no Brasil, moendo mais de oitenta milhões de toneladas por safra, envolvendo uma rede de mais de dois mil produtores; o caso ocorrer no contexto de um ciclo de crédito e custos elevados no agronegócio.

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo 65 bilhões de reais em dívidas concursais. O montante é o maior já registrado nesse tipo de processo no Brasil, colocando a companhia no epicentro de uma das crises mais profundas do agronegócio nacional.

A empresa foi criada a partir da estratégia de expansão de Cosan no setor de energia, que em 2011 formalizou a parceria com a Shell para combinar produção de cana, etanol e tecnologia da petroleira. Cada acionista detém 44% do capital, com 12% distribuídos entre outros investidores.

A Raízen se consolidou como líder global na processação de cana e na produção de etanol. Na safra 2024/25, processou cerca de 77,5 milhões de toneladas de cana, mantendo posição de destaque no setor.

Em agosto de 2021, a Raízen abriu o capital na B3, levantando 6,9 bilhões de reais com valor de mercado de 74 bilhões. A demanda pelos papéis atingiu 30 bilhões, incluindo aportes de investidores pessoa física.

O plano de expansão previa o uso de 80% do recurso captado para construir 20 plantas de etanol de segunda geração ao longo de uma década, com contratos já firmados para comercialização de 4,3 bilhões de litros. O projeto exigia alto endividamento.

Rubens Ometto, figura central da Cosan e ex-bilionário do setor de etanol, impulsionou a trajetória da Raízen. Seu patrimônio começou a declinar conforme o grupo enfrentou dificuldades financeiras e a joint venture demandou capital adicional.

A Shell retomou posição significativa no processo de reestruturação, anunciando aporte de 3,5 bilhões de reais como parte da capitalização da joint venture, após a Cosan sair da negociação conjunta.

Segundo dados setoriais, o pedido da Raízen representa cerca de 44% de todo o volume de dívidas envolvidas em recuperações extrajudiciais no Brasil nas duas últimas décadas. A empresa responde por aproximadamente 12% da cana processada no país.

A crise ocorre em um momento de aperto de crédito e margens comprimidas no setor, com a recuperação extrajudicial sendo caminho relativamente mais simples para renegociação com credores, em comparação às ações judiciais.

Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial indicam 283 casos desde 2005, totalizando mais de 145 bilhões de reais em dívidas renegociadas. O agronegócio acompanhou aumento sólido de pedidos nos últimos anos.

No cenário atual, o ecossistema da Raízen envolve produtores, fornecedores de insumos, prestadores de serviços e trabalhadores rurais, principalmente no interior de São Paulo, em um grande polo de economia circular associado ao processamento de cana.

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