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Esforços de Trump para conter a alta do petróleo não surtiram efeito

Liberação recorde de reservas não tranquiliza o mercado; petróleo volta a $100 o barril e Hormuz permanece fechado, elevando riscos

Smoke and flames rise at the site of airstrikes on an oil depot in Tehran.
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  • EUA e dezenas de economias desenvolvidas anunciaram a maior liberação de reservas de petróleo — 400 milhões de barris — na tentativa de acalmar o mercado, sem sucesso.
  • O preço do petróleo cru voltou a ficar pouco acima de 100 dólares por barril, com alta de cerca de oito por cento em um dia.
  • A liberação é gradual, ao longo de meses, enquanto interrupções na produção e no fluxo de petróleo ocorrem já hoje.
  • A oferta norte-americana envolve 172 milhões de barris em quatro meses, cerca de 1,4 milhão de barris por dia; no melhor cenário, esse esforço cobre no máximo 3 milhões dos 20 milhões de barris ausentes.
  • A persistência do estreito de Hormuz, ataques do Irã a navios e infraestrutura e dificuldades de seguros e escoltas elevam o risco, e as medidas militares, financeiras e de energia não têm ainda conseguido estabilizar o mercado.

O governo dos Estados Unidos e dezenas de economias desenvolvidas anunciaram nesta quarta-feira a maior liberação de reservas de petróleo de emergência já registrada, em tentativa de acalmar os mercados de energia. A medida ocorre em meio a tensões no Golfo e ao aumento recente do preço do petróleo.

A liberação envolve 400 milhões de barris de petróleo e derivados, a maior já feita, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Parte significativa é proveniente de reservas estratégicas americanas, com quase metade desse total a caminho do mercado. A ação equilibra a resposta a interrupções de fornecimento provocadas pelo conflito com o Irã.

O preço do Brent e do WTI oscilou acima de 100 dólares por barril na tarde de quinta-feira, após o anúncio. Economistas destacam que a medida terá efeito gradual, pois as restrições de produção e de fluxo de petróleo já estão em curso, não apenas em resposta às reservas.

A operação americana prevê a liberação de 172 milhões de barris ao longo de quatro meses, equivalente a cerca de 1,4 milhão de barris por dia. Especialistas estimam que o formato de liberação sazonal não supre completamente a demanda perdida, estimada em dezenas de milhões de barris diários.

Impactos regionais e estratégicos

Aproximadamente, parte do petróleo dos EUA será extraída de cavernas salinas na Louisiana e levará meses até chegar a mercados asiáticos. Analistas apontam que China e Japão, entre outros, enfrentariam atraso de suprimento, agravando atrasos já observados no Golfo.

Diversos países asiáticos adotam medidas nacionais para conter custos. Bangladesh enviou tropas para conter protestos por combustível; Vietnã e Coreia do Sul estudam limitar preços; Paquistão anunciou austeridade para economizar energia. Em várias nações do Sudeste Asiático, autoridades restringem atividades e deslocamentos para reduzir consumo.

A tensão se intensifica pela persistência do estreito de Ormuz fechado e pelos ataques iranianos anavios e infraestrutura energética na região. Desde o início do conflito, houve dezenas de incidentes no estreito, com impactos potenciais sobre a circulação de petróleo e gás natural liquefeito (LNG), especialmente para a Ásia.

Cenário e perspectivas

Especialistas destacam que, mesmo com os anúncios, a resposta de política energética depende de desfechos militares e diplomáticos. Não houve confirmação de missões de escolta de navios por parte da Marinha dos EUA, e a promessa de apoio de seguros marítimos ainda não se materializou de modo eficaz.

O governo americano sinalizou disposição de usar a frota para escoltas, mas as operações ainda não ocorreram. Enquanto isso, o setor de seguro marítimo enfrenta desafios para cobrir riscos de derramamento de óleo e segurança de navios, limitando a eficácia das medidas de estabilização.

Em resumo, as ações combinadas de reservas, apoio financeiro e propostas de proteção marítima não garantem imediata normalização dos fluxos de petróleo. A persistência de ataques e a instabilidade no Golfo mantêm o mercado em alerta, sem indicações claras de retorno à estabilidade a curto prazo.

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