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Petróleo em alta atrai investimentos no Brasil, mas pressiona Petrobras

Alta do petróleo coloca o Brasil em foco de investidores, mas pressiona a política de preços da Petrobras e aumenta o risco de desabastecimento de diesel

Plataforma de petróleo da Petrobras: cenário atual pressiona a política de preços da estatal.
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  • Brasil pode ganhar maior visibilidade de investidores como player de produção estável, mas a política de preços da Petrobras fica pressionada e há risco de desabastecimento interno de diesel.
  • O Estreito de Ormuz, na costa do Irã, segue fechado, aumentando interrupções de produção e volatilidade de curto prazo, com perspectiva estrutural de excesso de oferta nos próximos anos.
  • O Brent opera em torno de US$ 99 o barril, com o Citi estimando ganhos limitados para a Petrobras e destacando a PRIO como a empresa mais bem posicionada; PetroRecôncavo e Brava Energia podem ser menos beneficiadas por hedge no curto e médio prazo.
  • Preços de combustível devem subir no Brasil, com a Petrobras podendo ampliar participação no diesel; há preocupação com abastecimento, já que parte das importações de diesel tende a se concentrar em fornecimento russo devido aos descontos.
  • A Agência Internacional de Energia aprovou a liberação de 400 milhões de barris da reserva de emergência, o que pode influenciar preços conforme evolução do fechamento do Estreito de Ormuz.

Diante do recuo inicial no Ormuz, o preço do petróleo mantém a alta e acende apostas sobre investimentos no Brasil. Especialistas ouvidos pela Bloomberg Línea apontam que o país pode ganhar visibilidade como player de produção estável, mas a situação pesa sobre a política de preços da Petrobras e eleva o risco de desabastecimento de diesel.

A cautela permanece elevada em relação à capacidade de evitar interrupções. O estreito, fechado por conflitos, é responsável pelo fluxo de cerca de 20 milhões de barris por dia, segundo a Rystad Energy. Do total, 15 milhões são petróleo cru e 5 milhões, produtos refinados. Redirecionar esse volume hoje é difícil.

Segundo a analista de geopolítica da Rystad, a crise afeta o curto prazo, mas o mercado ainda aponta para excesso de oferta nos anos seguintes. Há incertezas sobre potencial destruição de capacidade de produção no médio prazo, ressalta a empresa.

A Rystad indica que cerca de 5 milhões de bpd já estão fora do mercado no Golfo Pérsico, devido a problemas de escoamento e armazenamento. O índice OVX, que mede volatilidade de preços, está acima de 100%, sinalizando oscilações significativas no curto prazo.

O Brent operava em torno de US$ 99 o barril na tarde de quinta-feira, com alta de 7,6%. O Citi, em relatório de março, aponta impacto do conflito no Oriente Médio e destaca a Petrobras como com ganhos limitados por repasse parcial da volatilidade no mercado interno.

Entre as empresas brasileiras, o Citi avalia que PRIO3 está mais bem posicionada pela alta de preços, enquanto PetroRecôncavo RECV3 e Brava Energia BRAV3 teriam menor benefício diante de hedge de curto a médio prazo. A instituição também alerta que haveria pressão para a ação da Petrobras sobre o preço interno.

Em relação ao diesel, o Citi estima aumento da participação da Petrobras no fornecimento doméstico, com melhoria da utilização de refinarias. Porém, há preocupação com o abastecimento: o Brasil importa cerca de 25% do consumo, e a capacidade de refino está abaixo da demanda atual.

O relatório aponta ainda que a demanda por diesel tende a sustentar alta nos preços de combustíveis, mesmo sem novas mudanças na Petrobras. Analistas ressaltam risco de escassez no curto prazo e pressão para atuação da estatal.

Liberação de estoques

Nesta semana, 32 países membros da AIE aprovaram a liberação conjunta de 400 milhões de bpd de reservas de emergência. Fatih Birol, diretor executivo da AIE, ressaltou a importância da segurança energética.

Caso o montante seja distribuído ao longo de três meses, a oferta potencial chega a 4,4 milhões de bpd, condicionada à distribuição e à absorção pelo mercado. Os efeitos sobre preços dependem da duração do fechamento do Estreito de Ormuz.

Fyfe, da Argus, aponta que a eficácia das reservas estratégicas para estabilizar preços depende da continuidade do fluxo pelo estreito. Estoques ajudam, mas podem não evitar altas se a navegação permanecer restrita por muito tempo.

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