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Controles Rígidos afetam exportação de soja brasileira para a China

Controles fitossanitários mais rígidos prejudicam exportações brasileiras de soja para a China, elevando custos logísticos e risco de desabastecimento no maior importador

Terminal da Cargill em Santarém
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  • O Ministério da Agricultura do Brasil aumentou as inspeções de embarques de soja para a China após detecções de grãos revestidos com pesticidas e fungicidas.
  • Quatro fontes comerciais dizem que as alfândegas chinesas passaram a observar mais problemas, como insetos vivos, grãos com tratamento de sementes e danos por calor.
  • Importadores precisam confirmar com os fornecedores brasileiros que as remessas estão livres de problemas antes da partida, sob risco de bloqueio na chegada à China.
  • A fase de maior exportação no Brasil, se os controles seguirem rígidos, pode reduzir o fluxo para a China em março e abril, abrindo potencial janela para compradores norte-americanos.
  • Custos e prazos mais altos: demurrage aumentou com a elevação dos tempos de certificação e o frete de Santos para o norte da China subiu cerca de 24%; as cotações de abril ficaram em volta de US$ 1,22 por bushel sobre o contrato de maio da CBOT.

O Ministério da Agricultura do Brasil informou que aumentou as inspeções nos embarques de soja destinados à China, após detectar repetidamente grãos com vestígios de pesticidas e fungicidas. As ações são resultado de solicitações de Pequim e afetam o fluxo de exportação do país. Quatro fontes comerciais confirmam o novo rigor nos controles.

Segundo fontes, as alfândegas chinesas já vinham apontando problemas em lotes brasileiros, incluindo presença de insetos vivos, grãos com tratamentos de sementes e danos causados pelo calor. Exportadores precisam confirmar, antes da partida, que as remessas estão livres de falhas fitossanitárias para evitar bloqueios na chegada.

O aumento das checagens ocorre na alta temporada de exportação e pode reduzir o ritmo de entregas para a China, maior importador mundial. Se os prazos de liberação se alongarem, o envio para março e abril pode diminuir. A indústria avalia possíveis impactos na oferta global.

Impacto no abastecimento e custos

O tempo de espera nos portos brasileiros para certificação elevou os custos de demurrage, somando-se às tarifas de frete mais altas. A taxa de frete de Panamax do Porto de Santos aos portos norte da China subiu cerca de 24% em março, conforme a Mysteel.

Vendas de soja brasileira para a China recuaram diante dos controles e dos fretes mais elevados. Em abril, a cotação de entrega, após inclusões de custo e frete, ficou em torno de US$ 1,22 por bushel, acima de US$ 1,12 observados no fim de fevereiro.

As importações chinesas de soja caíram 7,8% nos dois primeiros meses do ano, em parte pela safra brasileira mais lenta e pelo tempo maior de desembaraço alfandegário. O farelo de soja na bolsa de Dalian atingiu o maior valor desde julho de 2024, com expectativa de melhoria temporária.

Envolvidos e próximos passos

O presidente da unidade brasileira da Cargill informou à Reuters ter interrompido exportações de soja para a China. Autoridades chinesas e a embaixada do Brasil em Pequim não responderam aos pedidos de comentário.

Economistas apontam que, embora haja uma janela para fornecedores norte-americanos aumentarem vendas à China, a situação pode depender de evolução diplomática e de contingências logísticas a partir da duração dos novos cheques.

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