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Streaming concentra renda e pressiona música independente, diz associação

ABMI aponta que streaming concentra quase 88% da receita musical brasileira, pressionando a diversidade criativa e defendendo modelos como user-centric

Foto: Divulgação
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  • O streaming já responde por 87,6% da receita fonográfica brasileira, segundo o Global Music Report 2026.
  • A ABMI afirma que esse crescimento é assimétrico e pressiona a base criativa e a diversidade do País.
  • Remuneração média: Spotify entre 0,003 e 0,005 dólar por reprodução; Apple Music entre 0,007 e 0,01 dólar.
  • Mesmo com variações, a ABMI aponta que, com 0,004 dólar por reprodução, são necessárias cerca de 250 mil plays para ganhar 1.000 dólares brutos.
  • A ABMI sugere discutir modelos como o user-centric, que distribui a renda apenas entre os artistas ouvidos pelo usuário, para reduzir a concentração de renda.

O streaming já responde por 87,6% da receita fonográfica brasileira, segundo o Global Music Report 2026 da Federação Internacional da Indústria Fonográfica. O crescimento, porém, é visto com ressalvas pela ABMI, que aponta pressões sobre a diversidade criativa.

Para Felippe Llerena, presidente da ABMI, os dados de remuneração revelam distorções no setor. O Music Streaming Royalty Calculator mostra faixas de remuneração que variam entre 0,003 e 0,005 dólar por stream no Spotify, e entre 0,007 e 0,01 dólar no Apple Music.

Mesmo com variações contratuais, a matemática é simples, segundo a ABMI: 0,004 dólar por reprodução exige cerca de 250 mil plays para chegar a 1.000 dólares brutos, ainda antes de dividir com distribuidores, selos e parceiros.

A associação ressalta que o mercado depende de investimentos em marketing, favorecendo quem já domina audiência global. Em 2025, o Spotify informou repassar mais de 11 bilhões de dólares à indústria musical, cifra considerada recorde.

A ABMI destaca que a lógica de distribuição privilegia catálogos com investimento pesado e presença constante em playlists de grande alcance. O resultado é uma concentração maior de receita entre poucos players.

Dinâmica dos algoritmos

Segundo a ABMI, a forma como os algoritmos operam amplia esse efeito. Investimentos em mídia, tráfego pago e produção audiovisual elevam o engajamento inicial, alimentando recomendações automáticas.

Essa retroalimentação amplia a distância para artistas com orçamento menor, aumentando a concentração de renda na etapa inicial de distribuição.

Como consequência, milhares de artistas recebem frações menores da receita, o que pode comprometer a renovação do repertório e a diversidade criativa.

Contexto de mercado e alternativas

O ecossistema da música no Brasil movimenta cerca de 94 bilhões de reais por ano, segundo o Censo 2025/26 da Data SIM, que inclui shows e festivais. A ABMI conectou esse dinamismo à produção fonográfica e à renovação de line-ups.

Llerena afirma que se a base criativa se enfraquear devido à remuneração digital insuficiente, o efeito se espalha por festivais regionais, clubes e grandes turnês, afetando toda a cadeia.

A entidade cita modelos de pagamento alternativos em debate, como o user-centric, no qual a distribuição depende apenas das escutas de cada assinante. O formato é visto como potencial caminho para reduzir a concentração de renda sem prejudicar o streaming.

O debate sobre o tema já ocorre em mercados europeus e começa a ganhar espaço em outras regiões, segundo a ABMI. A organização segue defendendo avaliações técnicas para equilibrar remuneração e viabilidade econômica do setor.

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