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Economista diz que dívida bruta em cerca de oitenta por cento do produto interno bruto, com juros elevados, cria círculo vicioso que freia investimento e sustenta inflação

Equilíbrio. Gala passa a assinar uma coluna quinzenal em CartaCapital – Imagem: Redes Sociais
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  • Economista Paulo Gala afirma que a dívida pública brasileira não está fora de controle, mas o próximo governo precisa enfrentar problemas reais.
  • Com juros elevados, gasto anual fica próximo de 1 trilhão de reais (cerca de 10% do PIB), elevando a dívida bruta a ~80% do PIB.
  • Crescimento recente estimulou o consumo via transferências e gasto público, o que pode gerar pressões inflacionárias se a oferta não acompanhar.
  • O arcabouço fiscal é visto como avanço em relação ao teto de gastos, mas exige harmonização entre regras e maior coerência entre gastos com salário mínimo, saúde e educação.
  • Para sair da armadilha de baixo crescimento, Gala destaca dois caminhos: elevar o investimento da economia e aumentar o valor adicionado dos produtos, fugindo de atividades de baixo valor agregado.

O Brasil não está à beira de uma crise de dívida incontrolável, afirma o economista Paulo Gala. Ele aponta que a atual dinâmica envolve despesas em alta e juros elevados, o que cria um círculo vicioso: juros altos reduzem o investimento, que freia a capacidade produtiva e mantém pressões inflacionárias.

Para Gala, há limites econômicos para a expansão fiscal e, hoje, o gasto com juros aproxima-se de 1 trilhão de reais por ano, o que empurra a dívida bruta perto de 80% do PIB. O saldo fiscal exige, portanto, avaliação criteriosa das políticas públicas.

A composição do crescimento recente também é foco de atenção. Transferências e maior gasto público ampliaram o consumo, mas podem pressionar a demanda se o investimento acompanhar em menor ritmo. O resultado é um desafio macroeconômico com efeitos sobre a inflação.

Estrutura fiscal e regras

O economista avalia o arcabouço fiscal como avanço perante o teto de gastos, destacando a necessidade de disciplina sem congelar gastos socialmente relevantes. O desafio é compatibilizar regras de diferentes mecanismos de gasto para evitar trajetórias inconsistentes.

Para Gala, a consolidação fiscal passa pela harmonização de regras orçamentárias, como a valorização do salário mínimo e gastos com saúde e educação, que hoje seguem lógicas distintas. Sem alinhamento, despesas podem comprometer o equilíbrio fiscal.

Programas sociais e eficiência do gasto

A racionalização de programas sociais é tema central no debate público. Combater fraudes, melhorar cadastros e monitorar dados são ações citadas para garantir que os benefícios cheguem a quem realmente precisa. O custo estimado dos benefícios fica próximo de 300 bilhões de reais por ano.

Gala ressalta que a ampliação de programas, especialmente desde 2020, elevou o custo fiscal, mas também trouxe ganhos sociais relevantes. O objetivo é manter proteção social com maior eficiência, não reduzir a participação social.

Mercado de trabalho e produtividade

Sobre a jornada 6×1, o economista estima impacto macroeconômico limitado. A mudança poderia, no máximo, reduzir horas formais, com ganho salarial marginal para alguns trabalhadores. Efeitos significativos na economia como um todo são improváveis.

Paulo Gala aponta ainda que o Brasil investe cerca de 18% do PIB, abaixo de países como Índia e Vietnã, que investem em torno de 30%. A diferença aponta para gargalos de capacidade produtiva.

Caminhos para o crescimento sustentável

A saída envolve dois pontos: elevar o investimento fixo, para ampliar capacidade instalada e infraestrutura produtiva, e aumentar o valor adicionado dos produtos, avançando em tecnologia e inovação. Sem isso, o crescimento tende a “economias de baixo valor agregado”.

Em resumo, Gala defende visão equilibrada: reconhecer limites fiscais, ampliar eficiência dos gastos e investir em produtividade para sustentar o crescimento sem descontrole da dívida.

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