- Dario Durigan, secretário-executivo e atual número dois da Fazenda, deve chefiar o ministério até o fim do mandato de Lula, substituindo Haddad, que concorre ao governo de São Paulo.
- Haddad deixou o cargo nesta quinta-feira para disputar as eleições; Lula pediu que Durigan se apresentasse como substituto diante do público.
- Durigan atuou desde 2023 em medidas de recomposição de receitas, reforma tributária sobre o consumo e renegociação da dívida dos estados, com passagem pela Advocacia-Geral da União e pelo setor privado.
- Desafios incluem coordenar a área econômica durante a campanha de reeleição, discutir a reforma tributária, regulamentação da CBS em 2027 e pautas como IR sobre lucros e resultados, benefícios sociais e encargos sobre a folha.
- Orçamento de 2026 prevê superávit de 0,25% do PIB (cerca de R$ 34,3 bilhões), mas espaço fiscal é limitado pelo arcabouço; pode haver rombo e maior pressão de gastos obrigatórios diante de cenário externo com guerra no Oriente Médio elevando o petróleo e a inflação.
Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda, deve chefiar o Ministério da Fazenda até o fim do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A demarcação ocorreu nesta quinta-feira (19), quando Haddad encerrou seu mandato para concorrer ao governo de São Paulo. A cerimônia, em São Paulo, contou com a participação do presidente Lula, que pediu a Durigan que se apresentasse como substituto de Haddad.
Durigan ocupa a segunda posição na linha de comando da pasta desde 2023. Ele esteve à frente de políticas de recomposição de receitas, incluindo aumentos de tributos anunciados nos últimos anos. Também atuou na articulação da reforma tributária sobre o consumo e na renegociação da dívida dos estados. Antes, trabalhou como consultor na Advocacia-Geral da União (2017-2019) e, entre 2020 e 2023, como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. Formado em Direito pela USP, mantém perfil discreto, porém com bom trânsito entre governos e setores da economia real.
Desafios na Fazenda
À frente da pasta, Durigan precisa coordenar as ações econômicas durante a campanha de reeleição de Lula. O ambiente é tenso, com disputas políticas e circulação de informações políticas. Questões em pauta incluem a reforma tributária, como o imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado, e o eventual impacto de preços de consumo regulados na inflação. O governo mira a implementação da CBS em 2027, com normas de transição em curso neste ano.
Além disso, a reforma envolve revisar benefícios sociais e o regime de encargos sobre a folha de pagamentos. O orçamento de 2026 traz a meta de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, com margem de 0,25 ponto percentual. Há a possibilidade de compensar despesas com precatórios, o que pode gerar um resultado oficial positivo, mas com rombo real estimado em cerca de R$ 23,3 bilhões no ano. O espaço para gastos livres segue restrito pelo arcabouço fiscal, ampliando a pressão sobre investimentos e despesas.
O cenário externo também complica o trabalho. A atividade econômica global enfrenta oscilações devido à guerra no Oriente Médio, com o petróleo acima de US$ 100 o barril. A pressão de preços pode influenciar a inflação domestica e, por consequência, as decisões de política monetária. Em resposta, o Ministério da Fazenda tem defendido medidas como redução de impostos e subsídios para o diesel, além de ajustes na condução orçamentária para 2026.
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