- Thomas Mulliez, presidente da Veuve Clicquot, comenta o cenário atual do champanhe e o lançamento da Grande Dame 2018, ligado ao posicionamento da marca.
- O mercado global de champanhe caiu de cerca de 300 milhões a 330 milhões de garrafas, para cerca de 267 milhões no último ano, e a Veuve Clicquot registrou crescimento de 1% em volume.
- Os principais desafios incluem margens pressionadas por tarifas americanas, câmbio desfavorável (dólar, yen) e aumento de custos de uva e energia.
- O mercado francês representa 5% do negócio, com consumo interno sob tensão e dificuldades para repassar aumentos de preço em grandes redes, elevando a prioridade à margem.
- Exports seguem com potencial de crescimento, especialmente na África, Américas e Ásia; a Grande Dame é uma cuvée de prestige que busca ampliar volumes de forma gradual, mantendo o perfil acessível da marca.
Thomas Mulliez, presidente da Veuve Clicquot, afirma que o champagne não é um universo tranquilo nos dias atuais. A declaração ocorreu durante o lançamento da Grande Dame 2018, no siège da marca em Paris.
Mulliez assumiu a comando da casa em outubro de 2025, após passagem por Moët Hennessy e cargos de liderança em áreas regionais. Em entrevista ao Le Figaro, ele discutiu desafios e estratégias para a marca diante de um mercado volátil.
O mercado de champagne recuou nos últimos anos, com quedas nas vendas globais após picos anteriores. A Veuve Clicquot ficou relativamente estável, registrando crescimento de 1% em volume no último ano, mesmo em um cenário de demanda mais fraca.
Segundo o executivo, dois grandes impactos pesaram sobre a margem: tarifas dos Estados Unidos e variações cambiais. A alta de preços nos EUA não pode ser repassada integralmente ao consumidor, o que comprimiu a margem da empresa.
O dólar e o yen sofreram quedas relevantes, impactando aproximadamente 35% do volume de Veuve Clicquot nos EUA, o segundo maior mercado da marca. Além disso, a queda da moeda australiana e de outras moedas pesou sobre a rentabilidade.
Outros fatores incluídos por Mulliez são o aumento do custo da uva após a retomada pós-pandemia e o encarecimento da energia. Parte desses custos foi repassada, mas ainda pesa sobre a margem no longo prazo.
O francês representa apenas 5% do volume total da Veuve Clicquot. O executivo aponta que o portfólio dos consumidores franceses está sob pressão, com dificuldades para elevar preços devido à sensibilidade do varejo.
Apesar disso, Mulliez destaca desempenho sólido nos mercados de exportação, especialmente no Mercosul, Europa e regiões em desenvolvimento da África, Ásia e América. Países como Nigéria, Côte d’Ivoire, RDC e Camarões aparecem entre os que apresentam potencial.
A França permanece um mercado menor para a marca, mas a aposta está na manutenção da premiumização como tendência de consumo. O grupo vê a demanda por produtos de alto valor agregado em contraste com a queda de consumo global.
Na linha de produto, a Grande Dame 2018 é apresentada como símbolo do savoir-faire da casa, com foco no Pinot Noir. A produção representa uma parcela pequena do volume, com ambição de crescimento gradual para reforçar a imagem da marca.
A direção afirma que não há intenção de apostar em bebidas com zero álcool, citando custo da uva e impacto sensorial. Em vez disso, a Veuve Clicquot trabalha em cuvées com dosagens menores para atender demandas de saúde sem comprometer a identidade da Champagne.
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