- Nos primeiros 15 dias de março, a Rússia faturou cerca de € 7,7 bilhões com exportações de combustíveis fósseis (óleo, gás e carvão), cerca de 14% acima da média diária de fevereiro.
- A média diária de ganhos com petróleo ficou em torno de € 372 milhões, puxada por o aumento dos preços globais do petróleo.
- Os preços do petróleo Brent superaram os € 103 por barril, com a escalada dos conflitos no Oriente Médio elevando a renda de importadores de petróleo.
- Dados mostram que Índia e China respondem por aproximadamente três quartos das receitas russas com petróleo; a Índia comprou cerca de € 1,3 bilhão de combustíveis fósseis entre 1 e 15 de março.
- Na Europa, as lideranças continuam pressionando por sanções rígidas à Rússia, embora haja debates sobre medidas para evitar impactos de preços de energia; a Comissão Europeia mantém posição de sancionar, enquanto alguns países defendem flexibilização.
O governo russo elevou os ganhos com combustíveis fósseis nos 15 dias úteis de março, após ataques EUA-Israel que atingiram o Irã e moldaram o mercado global de energia. Dados do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) apontam lucros de bilhões de euros em petróleo, gás e carvão. A guerra interrompeu envio de petróleo pelo Estreito de Ormuz e elevou preços globais.
Entre 1º e 15 de março, a Rússia lucrou cerca de €372 milhões por dia com exportações de petróleo, 14% acima da média de fevereiro. O total com combustíveis fósseis ficou em €7,7 bilhões, equivalente a ≈€513 milhões diários, frente a €472 milhões/dia em fevereiro. O petróleo é a principal fonte desse ganho.
O aumento ocorre em meio a preços recordes de petróleo, com o Brent ultrapassando US$ 119 por barril na semana. Países compradores, como Índia e China, respondem pela maior parte da receita russa, segundo o CREA. A Índia adquiriu aproximadamente €1,3 bilhão em fósseis russos entre 1 e 15 de março, cerca de €89 milhões/dia, ante €60 milhões em fevereiro.
Contexto internacional
A decisão dos EUA de suspender temporariamente sanções para óleo russo já em mar aberto provocou ceticismo na Europa, que mantém postura firme. A medida visa estabilidade de mercados e controle de preços, segundo autoridades norte-americanas.
Analistas destacam que a elevação de preços pode beneficiar exportadores, mesmo com restrições. A Rússia obtém a maior parte de sua receita energética na ponta fiscal de extração, conforme o CREA. A energia europeia depende menos de petróleo russo, mas ainda compra cerca de €50 milhões por dia, majoritariamente gás trans-pipeline, nem tudo sujeito a sanções.
Reação na Europa
Líderes europeus defendem a continuidade das sanções, diante de riscos de crise energética. Ursula von der Leyen, Olaf Scholz e Emmanuel Macron defendem manter o bloqueio a Moscou. Viktor Orbán foi o único a defender suspender medidas para evitar preços elevados.
A incerteza sobre preços no curto prazo persiste, com potenciais impactos para usuários e mercados. O CREA mantém o acompanhamento dos fluxos de exportação e dos efeitos de políticas públicas sobre a economia europeia.
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