- Stablecoins são usados por criminosos por oferecerem menor volatilidade e maior rapidez para movimentar recursos ilícitos, mas também permitem congelamento de ativos e inclusão de endereços em blacklist.
- Painel no Merge São Paulo, com representantes do Ministério da Justiça e da AGU, destacou o duplo papel das stablecoins como ferramenta criminosa e instrumento de reação das autoridades.
- O Comissário de Crimes com Criptomoedas do Ministério da Justiça, Samuel do Nascimento Souza, disse que ataques buscam reduzir imprevistos, favorecendo operações rápidas sem oscilações de preço.
- O debate apontou que, apesar de haver mecanismos de bloqueio, o uso de múltiplas blockchains e bridges dificulta rastreamentos, exigindo reconstrução de trajetos menos lineares.
- A cooperação entre autoridades, corretoras, emissores e empresas de inteligência é vista como essencial para avanços nas investigações e para evitar que o crime se aproveite do ecossistema cripto.
No Merge São Paulo, representantes do Ministério da Justiça e da AGU destacaram o papel das stablecoins no crime e, ao mesmo tempo, em ferramentas de resposta das autoridades. O painel mostrou que esse tipo de ativo oferece menor volatilidade e maior rapidez para movimentar recursos ilícitos, além de facilitar congelamentos.
Conforme os participantes, a estabilidade facilita financiar atividades ilegais, ocultar recursos e transferir valores com menos oscilações. Ao mesmo tempo, abre espaço para mecanismos de bloqueio e inclusão de endereços em blacklist, ajudando investigações.
O debate ressaltou que a multichainografia dificulta o rastreamento, com bridges, redes diversas e estruturas mais fragmentadas. Em resumo, as investigações exigem reconstrução de trajetos menos lineares e maior integração entre agentes públicos.
Samuel do Nascimento Souza, comissário de Crimes com Criptomoedas, mostrou um caso de bloqueio rápido: após decisão judicial, foi possível rastrear movimentações até um endereço com cerca de US$ 460 mil em USDT e pedir o bloqueio. Dois dias depois, houve resposta.
Ana Paula Bez Batti, procuradora da Fazenda, destacou a necessidade de comunicações claras com emissores e intermediários para viabilizar congelamentos. A ideia é criar mecanismos ágeis de cooperação entre diferentes atores do ecossistema.
Segundo Samuel, o ambiente multichain exige preparo técnico e mental dos investigadores, já que atravessa redes e muda de ambiente com frequência. A analista comparou o cenário a um labirinto, no qual logs e geolocalização complicam o trabalho.
Ao fim, houve consenso de que cooperação é essencial. A apuração envolve on-chain e ações com corretoras, emissores, empresas de inteligência e autoridades. O consenso é que o avanço depende de articulação rápida entre os setores.
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