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Tarifas de Trump não atingem objetivos, aponta estudo

96% do custo das tarifas recai sobre empresas e consumidores dos EUA; déficit não diminui e a indústria perde empregos, enquanto a China se beneficia

Donald Trump announces tariffs
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  • Em 2025, as tarifas anunciadas por Donald Trump falharam em suas três metas: fazer estrangeiros pagarem pelas operações nos EUA, reduzir o déficit comercial e punir a China, segundo estudos e órgãos econômicos.
  • Dados indicam que 96% do custo das tarifas foi arcado por empresas e consumidores norte‑americanos, com exportadores estrangeiros absorvendo apenas uma fração do valor.
  • A arrecadação de tarifas ficou em cerca de $175 bilhões, e a renda familiar média estimada impactada foi de ~ $1.577 por ano.
  • O déficit global de bens dos EUA cresceu 2,1% em 2025, e o setor manufatureiro perdeu empregos; o ganho de emprego relacionado a retornar produção foi pouco expressivo.
  • A China manteve dinamismo, com ajustes de comércio rumo a diversificação e transbordo, enquanto aliados e concorrentes adotaram medidas para reduzir a dependência dos EUA, fortalecendo estratégias de trade e cooperação com outros países.

O governo de Donald Trump prometeu fazer os estrangeiros pagarem pela relação comercial com os EUA, reduzir o déficit e punir a China. Um ano após a adoção de tarifas elevadas, os números de 2025 mostram resultados aquém do esperado, segundo análites independentes.

Dados do Kiel Institute indicam que 96% do custo das tarifas recai sobre empresas e consumidores americanos. Exportadores estrangeiros absorveram apenas alguns centavos de cada dólar tarifário, conforme pesquisas recentes.

Relatórios do Federal Reserve de Nova York e do National Bureau of Economic Research reforçam o quadro: o peso é praticamente todo dos EUA, não dos parceiros comerciais. As tarifas geraram cerca de 175 bilhões de dólares em receita governamental adicional em 2025, vista como custo para os americanos.

Estimativas do Yale Budget Lab apontam impacto direto no bolso das famílias: a média anual de gastos com tarifas fica próxima de 1.577 dólares por domicílio. A percepção pública acompanha essa leitura, com sondagens indicando que cerca de 70% dos americanos associam tarifas a preços maiores.

No campo eleitoral, as tarifas não ajudam a reduzir o déficit nem estimular a indústria. O deficit comercial de bens dos EUA subiu 2,1% em 2025, atingindo 1,23 trilhão de dólares. As importações, em termos nominais, cresceram 4,6%.

A inclusão de serviços mantém o déficit estável, com variação de apenas 0,2%. Em termos de emprego, a indústria manufatureira perdeu 108 mil vagas em 2025, segundo dados oficiais. Estimativas de organizações setoriais apontam queda menor, mas ainda significativa, de criação de empregos vinculada a retornar de produção.

Dois fatores ajudam a entender o panorama. Primeiro, a incerteza sobre a direção da política econômica freia investimentos industriais. Segundo, tarifas sobre insumos elevam custos para produtores norte-americanos, reduzindo a lucratividade e desestimulando planos de expansão.

No eixo externo, o objetivo de punir a China aparece ofuscado pela diversificação de cadeias. A balança com a China caiu, mas houve aumento de déficits com outros países, como Índia, Malásia, México, Taiwan e Vietnã, o que indica deslocamento de fluxos comerciais.

Atarifação também reacendeu a prática de transbordo, com empresas chinesas recorrendo a intermediários para enviar produtos aos EUA, mantendo preços ao consumidor. O movimento é visto como tendência que pode se intensificar com acordos comerciais em estudo na Ásia e na Europa.

A operação de tarifas, portanto, não reduziu o peso da China nem assegurou uma base industrial resistente nos EUA. A alternativa política defendida pela Casa Branca pode exigir novas ferramentas, com custos adicionais para o país.

O cenário atual sugere que o impacto foi maior para consumidores e empresas norte-americanas do que para parceiros. A possibilidade de novas medidas, como ações com repercussões cambiais, também aparece como tema relevante para o próximo ano.

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