- A IEA pediu que governos atuem rapidamente para reduzir a demanda por petróleo, incentivando trabalho remoto, velocidades mais baixas nas rodovias e maior uso de transporte público, com possíveis restrições de uso de carros em grandes cidades.
- O alerta ocorre após interrupção “dramática” no fornecimento global de petróleo causada pelo fechamento do estreito de Ormuz, vital passagem que corresponde a cerca de 20% da produção e do transporte mundiais de petróleo (aproximadamente 15 milhões de barris de crude e 5 milhões de barris de derivado).
- Os preços do petróleo passaram de cem dólares o barril desde o início de ataques entre EUA/Israel e Irã, em fevereiro, com especulações sobre queda de de-escalada e possibilidade de chegar a duzentos dólares.
- A IEA afirma que o fechamento de Ormuz representa o maior choque de suprimentos na história recente, e que a retomada do trânsito pelo estreito é fundamental para estabilizar fluxos e reduzir tensões de preço.
- Além do petróleo, a crise afeta gás natural, eletricidade e pode afetar mais fortemente famílias de baixa renda; medidas de apoio financeiro e ações de curto prazo para reduzir tarifas de energia foram discutidas em reuniões da União Europeia.
O relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) aponta medidas para reduzir a demanda mundial por petróleo diante da escalada no Oriente Médio. Ações sugeridas incluem incentivar o trabalho remoto, reduzir limites de velocidade e promover o uso de transporte público, além de possíveis restrições ao uso de carros em grandes cidades. A meta é atenuar o choque de oferta causado pela interrupção no Estreito de Hormuz.
A IEA classifica a interrupção como o maior choque de suprimentos da história moderna, afetando cerca de 20% da produção e do transporte globais. O estreito, essencial para o fluxo de petróleo, tem o papel decisivo na logística mundial. O retorno do tráfego pelo Hormuz é visto como a ação mais importante para estabilizar mercados e preços.
Medidas propostas e impacto imediato
Se as medidas forem adotadas, o uso de energia no transporte rodoviário pode recuar, já que o transporte rodoviário responde por quase 45% da demanda global de petróleo. A IEA ressalta que a redução de viagens aéreas corporativas também pode reduzir a demanda por combustível de aviação.
O relatório aponta que voos de negócios podem cair consideravelmente a curto prazo, o que ajudaria a frear o consumo de querosene. Além disso, recomendações sugerem maior compartilhamento de carros, mobilidade urbana e condução mais eficiente.
Respostas políticas e cenário atual
Diversos países já ampliam o trabalho remoto como resposta à crise. Ações incluem semanas de quatro dias para servidores públicos e fechamento de repartições em determinados dias, com variações regionais. Em unidades da Ásia, também há promoções ao trabalho remoto para reduzir consumo de óleo.
A agência lembra que, mesmo com reservas emergenciais de petróleo liberadas, não é viável depender apenas da oferta para estabilizar os mercados. A solução envolve reduzir o consumo e adaptar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Negócios, energia e custos
Especialistas destacam que o risco de oferta pode se intensificar se o Hormuz permanecer fechado por mais tempo. Em cenários extremos, a pressão sobre refinarias europeias pode aumentar, com potenciais cortes na produção ante custos mais elevados de matéria-prima.
O impacto se estende além do petróleo, atingindo fluxos de gás natural e, por consequência, a segurança e os preços da eletricidade. As autoridades ressaltam a necessidade de suporte financeiro direcionado aos grupos mais pobres para mitigar impactos.
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