- A investigação europeia aponta falhas na Red Eléctrica, nas empresas e nos reguladores da Espanha, como causas do apagão ocorrido no dia 28 de abril do ano passado.
- O estudo traz 22 recomendações para evitar que o fornecimento de energia volte a falhar, apresentadas por especialistas da ENTSO-e.
- Identifica desconexões/manipulações manuais de componentes críticos para controle de tensão e ausência de monitoramento em tempo real da potência reactiva.
- Grandes comercializadoras (Iberdrola, Endesa e Naturgy) teriam contribuído com fornecimento insuficiente de potência reactiva durante momentos críticos.
- Regulares apontados: Ministério para a Transição Ecológica e a Comissão Nacional do Mercado e da Concorrência; regras espanholas de tensão permitiram margens estreitas entre operação normal e disparo automático de segurança.
A investigação europeia sobre o apagão de 2025 aponta falhas em Red Eléctrica, empresas e reguladores na Espanha. O evento, descrito como o pior da região em décadas, ocorreu em 28 de abril do ano passado e envolve redundâncias entre geração, transmissão e regulação. O grupo de especialistas da ENTSO-e apresentou 22 recomendações para evitar recorrência.
O relatório detalha déficits na gestão da rede, com comutação de componentes críticos feita manualmente e sem monitoramento em tempo real da diferença entre a potência reactiva solicitada e a efetivamente disponível. Essas deficiências teriam atrasado decisões diante da rápida evolução do incidente.
Entre as grandes geradoras, Iberdrola, Endesa e Naturgy teriam contribuído com um aporte de potência reactiva insuficiente, operando abaixo de 75% das solicitações no momento crítico. O documento critica a capacidade de resposta diante do risco de tensão próximo aos níveis permitidos.
As renováveis também são apontadas como parte do problema. O estudo indica funcionamento com fator de potência fixo, sem reagir a mudanças de tensão para estabilizá-la, e desconexões automáticas antes de atingir limites de tensão nos pontos de acesso. Falhas de dados solicitados, como a tensão de disparo de plantas, são ressaltadas.
Reguladores espanhóis são identificados como parte do cenário. O Ministério para a Transição Ecológica e a Comissão Nacional dos Mercados e da Competência (CNMC) possuem atribuições relevantes, segundo o relatório. A narrativa aponta inconsistências regulatórias que favoreceram o apagão.
O documento também critica o enquadramento normativo espanhol, que permite um intervalo de tensão maior na rede de 400 kV. Segundo a análise, esse espaço reduziu o buffer entre operação normal e o limiar de desconexão automática, aumentando a vulnerabilidade a falhas rápidas.
Além das recomendações técnicas, o relatório enfatiza a necessidade de melhoria na disponibilidade de dados por parte das empresas. Dados solicitados e não entregues dificultaram a compreensão completa do evento e a identificação de responsabilidades.
Recomendações centrais da comissão técnica
- Fortalecer monitoramento em tempo real da rede e da potência reactiva.
- Estabelecer protocolos para resposta rápida em situações de tensão crítica.
- Exigir melhoria na qualidade de dados fornecidos pelas operadoras e geradoras.
- Reavaliar o regime de tensão permitido para redes de alta capacidade.
- Reforçar governança entre operadores, reguladores e empresas para tomada de decisão célere.
- Implementar critérios padronizados de gestão de componentes críticos.
O relatório final, com as 22 recomendações, visa aprimorar a gestão de crises e reduzir a probabilidade de repetição do apagão na península. As ações deverão ser consideradas por autoridades nacionais e pela rede europeia ENTSO-e.
As conclusões oficiais não indicam responsabilidade única; o objetivo é orientar melhorias sistêmicas. As informações são provenientes de estudo conduzido por ENTSO-e, com colaboração de especialistas internacionais, divulgado nesta sexta-feira pela manhã.
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