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PCC e CV: dimensão atual das facções no Brasil

PCC e Comando Vermelho avançam do presídio para redes globais, movem bilhões com cocaína e lavagem de dinheiro, via alianças internacionais e estruturas financeiras.

PCC e CV podem se tornar 'terroristas' na visão dos EUA
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  • O PCC evoluiu de grupo de autodefesa em presídios para organização mafiosa, com estimativa de 40 mil membros em 29 países.
  • A movimentação financeira do PCC gira em torno de 2 bilhões de dólares, sendo 80% com cocaína para a Europa e 20% no tráfico interno.
  • O grupo mantém parcerias com a máfia calabresa Ndrangheta e com redes sul-americanas, além de ligas com o Tren de Aragua.
  • O Comando Vermelho, com cerca de 30 mil membros, atua no Brasil e mantém vínculos com as FARC, além de participar do tráfico de cocaína e de armas.
  • Em 2024 e 2025 houve avanços na lavagem de dinheiro e no tráfico, com operações da PF e da polícia estadual apontando uso de empresas de fachada, compras de armas e criação de estruturas financeiras complexas.

Em âmbito internacional, duas das maiores facções criminosas brasileiras ampliaram significativamente seu alcance financeiro e operacional, especialmente na ausência de atuação efetiva do Estado. O PCC, que surgiu como grupo de autodefesa em presídios paulistas nos anos 1990, evoluiu para uma organização de caráter mafioso, com atuação em diversos países e setores econômicos. Especialistas destacam que a relação com estruturas de poder influenciou sua consolidação e expansão.

A evolução do PCC, conforme avaliação de especialistas, envolve redes de financiamento, lavagem de dinheiro e alianças internacionais. Em estudo recente, o promotor Lincoln Gakiya afirma que, apesar de não ter sido aprovada legislação antimáfia, o PCC já é considerado a principal organização desse tipo no Brasil. A facção mantém atuação financeira diversificada, incluindo postos de combustível, fintechs, padarias e hotelaria, com atuação em pelo menos 29 países.

Expansão e estrutura financeira

Dados de autoridades apontam que o PCC movimenta cerca de 2 bilhões de dólares, sendo 80% oriundos do tráfico de cocaína para a Europa e 20% para o mercado interno brasileiro. A presença da organização se estende por redes de contrabando e parcerias com máfias internacionais, como a Ndrangheta, e com grupos sul-americanos, como o Tren de Aragua. A pesquisa ressalta o papel de rotas brasileiras, especialmente em Mato Grosso, para envio de drogas a portos como Santos e Paranaguá.

Aproximações com outras máfias são destacadas por graduados em criminologia, que apontam a atuação conjunta com equipes de outros países para ampliar o controle de cadeias de abastecimento. O crescimento ocorre, segundo especialistas, na medida em que o Estado está ausente de determinadas regiões, abrindo espaço para infiltração em instituições e mercados legais.

Comando Vermelho e evolução regional

O Comando Vermelho, originário dos anos 1970 no Rio de Janeiro, também se tornou uma organização com atuação transnacional. O CV iniciou com delitos de baixo grau, evoluindo para o tráfico de cocaína com vínculos a organizações colombianas. Relatórios da Polícia Federal indicam ligações com dissidentes das FARC, especialmente na região amazônica, e o uso de rotas fluviais para tráfego de drogas.

Estimativas indicam que o CV possua cerca de 30 mil membros, com atuação em alianças com outras máfias de peso, como a Ndrangheta. O tráfico de armas na região Sul-Americana é realizado de forma descentralizada, com peças vindas de diferentes pontos e montagem local, dificultando o controle de fiscalização. A PF aponta aumentos nos apreendimentos de fuzis nos últimos anos, com grande parcela dessas armas associadas a atividades do crime organizado.

Operações e controle financeiro

Em abril do ano passado, a Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou a Operação Contenção, que identificou esquema de lavagem de dinheiro envolvendo CV e PCC, incluindo a criação de uma entidade financeira para transferências ilícitas. A PF destaca que a sofisticação dessas estruturas financeiras envolve uso de empresas de fachada e atividades comerciais lícitas aparentes, reforçando a necessidade de investigações patrimoniais e cooperação entre órgãos de controle.

O estudo enfatiza que, para conter o avanço dessas organizações, é essencial combinar ações de inteligência, repressão e fiscalização financeira. A cooperação entre diferentes esferas do governo e a adoção de estratégias integradas são consideradas cruciais para enfraquecer a capacidade de reinvestimento das facções.

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