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Capital estrangeiro chega; capital humano se despede

Investimento estrangeiro atinge novo teto, mas Brasil perde milionários, sinalizando urgência de políticas para atrair capital humano

A transferência patrimonial global nos próximos 20 anos é estimada em US$ 83 trilhões, dos quais US$ 74 trilhões entre gerações Foto: Eugene Hoshiko/AP
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  • Investimento estrangeiro atingiu US$ 84,1 bilhões até novembro de 2025, o melhor resultado desde 2014.
  • Brasil ficou em segundo lugar entre os maiores destinos de aporte direto no primeiro semestre de 2025, segundo a OCDE.
  • Nos últimos dez anos, o País perdeu mais de 22 mil cidadãos milionários (em dólares), segundo a Henley & Partners.
  • A fuga de capital humano ocorre em meio a inseguranças jurídicas e sociais, com Brasil competindo com a Rússia.
  • Estima-se que 165 mil milionários devem migrar em 2026; a transferência patrimonial global nos próximos 20 anos é de US$ 83 trilhões, sendo US$ 74 trilhões entre gerações.

O Brasil atraiu fluxo externo de capital de US$ 84,1 bilhões até novembro de 2025, o melhor resultado desde 2014. Investidores estrangeiros demonstraram confiança nos ativos nacionais, assegurando liquidez e impulso econômico no país.

No primeiro semestre de 2025, o Brasil foi o segundo destino de investimentos diretos, segundo dados da OCDE. O país superou Reino Unido, Canadá e México nesse período, sinalizando maior atração de capital externo.

A ordem internacional pós-guerra enfraqueceu, abrindo espaço para decisões estritamente transacionais na alocação de capital. Empresários avaliam riscos e retornos com foco em ganhos de curto a médio prazo, em um cenário geopolítico instável.

Capital humano em saída

De acordo com a consultoria Henley & Partners, nos últimos 10 anos o Brasil perdeu mais de 22 mil cidadãos milionários em dólares. O êxodo está ligado a inseguranças jurídicas e sociais, aumentando o desafio de retenção de talentos.

Há mais de 100 países disputando a entrada de milionários, num momento em que cerca de 165 mil devem migrar em 2026. O movimento envolve herdistas cosmopolitas com alto poder aquisitivo e redes globais.

Esses migrantes não levam apenas riqueza: trazem know-how, redes profissionais e liquidez que estimulam inovação e consumo. Governos anfitriões se beneficiam com maior arrecadação e dinamismo econômico.

Estratégias para o Brasil

Especialistas destacam a necessidade de programas para atrair capital humano, convertendo o que o país tem de melhor — o “calor humano” — em ativo estratégico. A mobilidade global de riqueza não é uma tendência passageira, mas um mecanismo de realocação de talentos.

Países vizinhos já atuam com políticas pró-atração de cidadãos de alta renda, incluindo estruturas fiscais mais atrativas para heranças e rendimentos no exterior. O Brasil precisa considerar ações semelhantes para sustentar o crescimento.

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