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Choques no diesel e fertilizantes elevam risco ao abastecimento de alimentos

Analistas projetam pressão inflacionária sobre alimentos em 2026 com choque em diesel e fertilizantes, elevando custos na cadeia produtiva

Imagem de descarga de fertilizantes no Porto de Paranaguá (PA)
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  • A alta de diesel aumenta custos na cadeia produtiva, afetando transporte, logística e uso de máquinas, mas ainda não está claro se produtores vão repassar ou absorver o impacto.
  • O fator determinante passa a ser fertilizantes: expansão do gás natural líquido no Catar eleva o custo de amônia, base dos fertilizantes nitrogenados, impactando preços globais.
  • O cenário lembra o choque entre 2020 e 2022, com potencial de elevar inflação de alimentos em dois mil e vinte e seis; alimentos como açúcar, soja, carnes, arroz e feijão devem enfrentar pressão, enquanto hortifrutigranjeiros podem oscilar.
  • Ataques à infraestrutura de energia atrasam a retomada da produção de fertilizantes, fortalecendo a interdependência entre reparos, reativação de gás e reinício da produção.
  • No Brasil, embora haja vantagem de ser exportador, a ausência de política robusta de estoques amplia a vulnerabilidade a choques; a recuperação depende de reconstrução de infraestrutura e condições de crédito, mantendo margens sob pressão.

A alta recente de combustíveis, especialmente do diesel, já pressiona custos na cadeia produtiva. Produtores avaliam se esse encarecimento será repassado ao consumidor ou absorvido. A incerteza predomina sobre o impacto final na inflação de alimentos.

O diesel eleva o custo de transporte, logística urbana e atividades agrícolas como colheita, adubação e irrigação. Além disso, reduz a margem de lucro de alguns produtores. O efeito tende a abranger toda a cadeia de suprimentos, não apenas o frete.

Ainda que o foco seja o diesel, a preocupação maior recai sobre fertilizantes. O aumento do gás natural no Catar eleva o insumo base da amônia, essencial para fertilizantes nitrogenados, ampliando a pressão de custos.

O contexto lembra os choques de 2020 a 2022, quando pandemia, restrições comerciais e eventos climáticos elevaram a inflação de alimentos. Naquele período, fertilizantes foram um vetor importante de pressão de custos globais.

Sanções a Rússia e Bielorrússia, grandes fornecedoras, agravam o cenário. Problemas na infraestrutura de transporte de gás também colaboram com a alta de preços. O economista Francisco Pessoa Faria aponta semelhanças com choques de oferta fortes.

Efeitos sobre alimentos aparecem de forma indireta, porém relevantes. Pode haver maior pressão sobre o açúcar com eventual priorização de etanol, impactos na soja pela ração animal e efeitos em cadeia nas proteínas.

O risco de 2026 sinaliza inflação de alimentos mais alta que em 2025. Café, açúcar e carnes já enfrentavam pressão, com arroz e feijão também com oferta restrita. Hortifrutigranjeiros devem registrar altas ao longo do ano.

Parte da amortização da inflação depende de fatores como câmbio, que hoje não atua como pressão adicional relevante. Contudo, a ausência de políticas robustas de estoques limita a resposta a choques como esse.

No Brasil, há espaço visto como relativamente mais estável pela condição de grande exportador de alimentos. O câmbio permanece neutro, mas a vulnerabilidade reside na necessidade de políticas de estoques eficazes.

Danos à infraestrutura de energia atrasam a retomada da produção de fertilizantes. Reparos são necessários antes de restabelecer gás, petróleo e, por fim, a produção de fertilizantes. A recuperação ocorre em etapas.

A interrupção de fornecimento de fertilizantes passa a ter caráter estrutural, segundo especialistas. A reconstrução econômica depende da reparação de infraestruturas energéticas em meio a um conflito ativo, elevando a volatilidade do mercado de nitrogenados.

No Brasil, a cadeia de fertilizantes — indústrias, distribuidores e revendas — enfrenta novo desafio. Já afetada por quebras financeiras em 2022, a pressão atual tende a reduzir margens sem que haja alívio imediato para as safras.

Operações com crédito caro e endividamento crescentes reduzem a capacidade de reajustes para manter a oferta estável. A recuperação depende de condições externas e da estabilidade logística, não apenas de reabertura de rotas.

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