- A guerra no Oriente Médio deve prolongar o ambiente de juros elevados no Brasil, por pressionar a inflação global e aumentar incertezas.
- Mesmo com o começo de corte da Selic pelo Banco Central, o custo do dinheiro deve permanecer alto diante de condições externas adversas.
- IPCA dos últimos doze meses em 3,8% e a Selic em 14,75% ao ano indicam taxa real de juros superior a 10% ao ano.
- Altos juros encarecem a dívida pública e o financiamento de empresas e famílias, com impactos sobre crédito e investimentos.
- Mesmo diante do cenário, o Brasil tem colchão de reservas internacionais estimado em US$ 365 bilhões, que ajuda a amortecer choques cambiais, e o Cofecon defende maior coordenação entre políticas públicas e setor privado para reduzir dependência externa.
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) aponta que a guerra no Oriente Médio deve manter o ambiente de juros elevados no Brasil. A instituição afirma que a inflação global e as incertezas econômicas devem seguir pressionando a política monetária brasileira.
Mesmo com o início de cortes na taxa básica pelo Banco Central na semana passada, o Cofecon avalia que o custo do dinheiro continuará alto por mais tempo. A persistência de choques externos é citada como principal fator.
A entidade destaca ainda o cenário de volatilidade de preços, insegurança de suprimentos e a duração incerta dos ataques como elementos que elevam a inflação global e dificultam quedas rápidas da Selic.
O relatório enfatiza que o IPCA dos últimos 12 meses acumulou 3,8%, enquanto a Selic está em 14,75% ao ano, o que resulta em uma taxa real de juros acima de 10% ao ano. Isso encarece financiamento da dívida pública, crédito e financiamento de empresas e famílias.
Apesar das pressões, o Cofecon aponta que o Brasil parte de um colchão de reservas internacionais significativo, estimado em US$ 365 bilhões. Esse nivelamento ajuda a atenuar choques cambiais e facilita a avaliação de cenários externos.
A instituição também ressalta fragilidades estruturais na economia, especialmente em energia e fertilizantes, que podem se tornar vulnerabilidades diante de choques logísticos e de preços globais.
Segundo o Cofecon, as medidas para reduzir a dependência externa demandam coordenação entre políticas públicas e setor privado. O plano passa pela modernização de setores estratégicos e pela maior articulação entre atuação estatal e empresários.
Em síntese, o órgão aponta que o cenário geopolítico-econômico atual impõe desafios de curto, médio e longo prazo. A aposta é na combinação de políticas públicas, capacidade de ajuste institucional e fortalecimento de reservas para enfrentar a instabilidade externa.
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