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Fragmentação econômica: novo ciclo de desordem global ameaça estabilidade

Fragmentação global avança e desordem econômica autossustentável ameaça a estabilidade, segundo Eswar Prasad, exigindo reconstrução de instituições e cooperação

O sistema político e econômico internacional tem enfrentado desafios desde o início do século XXI, com a competição comercial entre EUA e China, a crise financeira de 2007-2009 e a pandemia de Covid-19 (Foto: Jose Sarmento Matos/Bloomberg)
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  • O economista Eswar Prasad, em The Doom Loop, descreve a fragmentação global como um fenômeno autossustentável de desordem, com forças de estabilidade falhando.
  • A mudança na política externa e econômica dos Estados Unidos e a deterioração das relações com a China são fatores centrais, levando a uma fusão entre economia e geopolítica.
  • Eventos recentes — como choques com importações chinesas, crise financeira de 2007-2009, Covid-19 e invasão da Ucrânia — evidenciam os perigos de uma integração transfronteiriça excessiva.
  • Prasad afirma que o comércio já não funciona como contrapeso à rivalidade geopolítica, potencializando um círculo vicioso de desigualdade, ressentimento e retração comercial.
  • As recomendações apontadas são reconstruir instituições nacionais e internacionais, promover competição baseada em regras e soma positiva, com liderança ousada para retornar à estabilidade.

O economista Eswar Prasad apresenta em The Doom Loop uma leitura sobre a fragmentação global e a desordem econômica que, segundo ele, se tornou autossustentável. A obra aponta que a ordem econômica internacional perdeu os instrumentos que tradicionalmente restauravam o equilíbrio.

A mudança na política externa e econômica dos Estados Unidos é destacada entre as causas centrais, somando fatores como choques comerciais, crise financeira de 2007-2009, a pandemia de Covid-19 e a invasão da Ucrânia. O conjunto ampliou a percepção de vulnerabilidade global.

Prasad sustenta que as forças que deveriam restabelecer o equilíbrio não respondem mais, invertendo a lógica dos mecanismos de oferta e demanda e agravando a desordem econômica. O livro alerta que o colapso ainda está no estágio inicial.

Desafios da relação EUA-China

Segundo o autor, a deterioração das relações entre as duas maiores economias do mundo freou a cooperação em favor de competição. A fusão entre economia e geopolítica reduziu o papel do comércio como contrapeso aos conflitos entre pares, elevando incertezas globais.

A competição comercial passou a ser encarada como parte de uma disputa por poder, o que afeta decisões de investimento, cadeias de suprimento e acordos multilaterais. Países emergentes também ajustam estratégias para mitigar riscos de deslocamento geopolítico.

Prasad argumenta que manter a cooperação baseada em regras é essencial para evitar uma espiral de retração econômica. O autor defende a reconstrução de instituições nacionais e internacionais e uma competição de soma positiva.

Recomendações para reconstrução

As sugestões do economista incluem fortalecer a governança econômica, aumentar a transparência e ampliar acordos baseados em regras. A ideia é promover cooperação estável, em vez de ciclos de desordem que elevem tensões geopolíticas.

A conclusão do livro aponta que a solução é clara, mas o caminho para alcançá-la não é simples. O texto enfatiza a necessidade de líderes com princípios e de cidadãos engajados para retornar a um ambiente de maior previsibilidade.

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