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Arroba brasileira pode valer até US$ 75 no exterior

Arroba brasileira pode chegar a US$ 75 no exterior, sustentada por oferta restrita e consumo interno aquecido, com volatilidade possível diante de mudanças na China

Consultoria aponta redução na oferta de animais, consumo interno aquecido e demanda global
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  • MB Agro projeta arroba do boi gordo entre US$ 70 e US$ 75 no exterior em 2026, impulsionada por oferta mais restrita e aquecimento do consumo interno no Brasil.
  • A consultoria alerta para volatilidade no mercado caso haja mudanças nas compras da China, como ajustes de cotas ou alterações na política comercial.
  • A renda real brasileira tem avançado cerca de 4% ao ano nos últimos dois anos, com inflação em torno de 4,5%, o que sustenta o consumo de carne bovina.
  • A oferta de animais no Brasil vem caindo, com abates de cerca de 43 milhões de cabeças em 2025, alta de 8,2% frente a 2024, e queda prevista de cerca de 7% no volume abatido.
  • No cenário internacional, os Estados Unidos registram demanda elevada e preços de carne recordes, mantendo oferta restrita e abrindo espaço para maiores exportações brasileiras.

O preço da arroba do boi gordo deve ficar mais estável em 2026, com cotações ao redor de US$ 70 a US$ 75 no mercado internacional, segundo a MB Agro. O cenário é sustentado por oferta de animais mais restrita e pelo aquecimento do consumo interno no Brasil.

A consultoria aponta que a demanda global segue aquecida, enquanto a oferta de animais continua reduzida. A volatilidade é citada como possibilidade caso haja mudanças nas compras da China, seja por ajustes de cotas ou alterações na política comercial.

Durante o 12º Simpósio da Nutripura, o Economista e Sócio da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, afirmou que a economia brasileira mostra sinais de aquecimento e pode sustentar o consumo de carne bovina.

A renda real vem aumentando, e os temas ligados ao mercado de trabalho seguem positivos. A MB Agro aponta que a massa de renda real no país avança perto de 4% ao ano, enquanto a inflação fica em torno de 4,5%. A renda nominal cresce quase 9,5% ao ano.

Com esse ganho de poder de compra, o consumo de alimentos tende a crescer, o que, para a MB Agro, ajuda a sustentar o mercado de carne bovina no Brasil.

A consultoria destaca que o mercado interno já tem capacidade de sustentar valores próximos de R$ 350 por arroba em determinadas regiões, mesmo sem considerar exportações.

Redução de oferta

A pecuária brasileira já registra queda na oferta de animais. Nos últimos anos houve um ciclo intenso de descarte de fêmeas, após recordes de abates. Dados do IBGE indicam abates de aproximadamente 43 milhões de cabeças em 2025, ante 2024, um aumento de 8,2%.

Segundo Mendonça de Barros, o salto corresponde a quase 10 milhões de cabeças a mais em comparação com ciclos anteriores. Parte desse crescimento vem da maior produtividade, mas grande parte decorre da redução do estoque de fêmeas.

Com menos matrizes disponíveis, a reposição fica mais cara, levando os pecuaristas a reter mais fêmeas para recompor o rebanho. A consequência é menor volume de animais destinados ao abate no curto prazo.

A MB Agro projeta queda de cerca de 7% no volume abatido, o que representa aproximadamente 3 milhões de cabeças a menos. Nos últimos dois anos houve alta no abate, mas o início de 2026 mostra retração em relação ao mesmo período de 2025.

Essa mudança ocorre em um cenário de forte demanda internacional por carne bovina, segundo o economista. O mercado externo permanece com oferta restrita e demanda aquecida.

Mercado Internacional

Nos Estados Unidos, a carne bovina atinge patamar de preços recordes, com a carne moída em nível histórico de valor. O rebanho americano observa queda no estoque de fêmeas, que está no menor nível dos últimos 75 anos.

Preços de bezerros no país já passam de US$ 11, podendo chegar a US$ 12–13 por kg, conforme o avanço de retenção de matrizes por produtores. A conjuntura reforça o cenário de oferta restrita e demanda elevada no mercado global.

Para o Brasil, essa combinação tende a manter o ambiente favorável à pecuária nos próximos anos, abrindo espaço para maiores exportações, segundo a MB Agro. A consultoria aponta expectativa de continuidade da demanda aquecida no cenário global.

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