- Ata do Copom mostra que não há indicação de novo corte na Selic; o ciclo de calibração deve acompanhar novas informações ao longo do tempo.
- Na reunião da semana passada, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio.
- A ata ressalta que a inflação segue acima da meta e que o custo de desinflação é maior quando há expectativas desancoradas.
- O BC afirma que, diante da maior incerteza, permanece serenidade e cautela na condução da política monetária, incorporando impactos dos conflitos e de commodities.
- No plano doméstico, a saúde das contas públicas e a política fiscal são fatores determinantes para a inflação e o custo da desinflação, influenciando o prêmio de risco.
O Banco Central divulgou nesta terça-feira a ata da reunião do Copom da semana passada. O texto aponta que não houve indicação de novo corte na Selic, hoje em 14,75% ao ano, apesar da recente redução de 0,25 p.p. anunciada pelo colegiado.
Segundo a ata, a magnitude e o ciclo de calibração da Selic serão definidos ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas. A decisão foi tomada em meio a tensões geopolíticas e incertezas sobre a trajetória da inflação.
Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de queda de 0,5 p.p. Já o Copom afirma que a atual conjuntura exige perseverança e cautela na condução da política monetária, com restrição maior por mais tempo.
“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos, subiram com o início dos conflitos, permanecendo acima da meta em todos os horizontes”, diz a ata. O texto ressalta impacto potencial sobre preços e atividade.
No cenário atual, o BC destaca maior incerteza e enfatiza serenidade na política monetária, para que novos sinais de calibração incorporem informações sobre a profundidade dos conflitos e seus efeitos sobre commodities, como o petróleo.
A Selic, que serve como referência para demais taxas da economia, segue com meta de inflação de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. A projeção de inflação para este ano, segundo o BC, é de 4,17%.
Cenários
Até o início dos conflitos, leituras apontavam arrefecimento da inflação e crescimento compatível com a política em vigor. A ata destaca que, na reunião de janeiro, já havia sinalização de início de calibração, ainda com caráter restritivo.
O Copom aponta que a incerteza externa se elevou com tensões geopolíticas e incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos, fortalecendo o cenário de cautela na definição dos próximos passos.
Quanto ao ambiente doméstico, o BC afirma que a saúde das contas públicas é fator determinante para o sucesso do controle da inflação. A política fiscal também molda a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida.
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