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China fica de fora de conflito no Irã, mas exportações podem sofrer

Guerra no Irã reduz demanda do Golfo na China; em Yiwu, exportações desaceleram enquanto frete e seguros sobem, ameaçando a economia chinesa

Os custos de transporte tornaram-se proibitivamente altos. O frete de um contêiner padrão para o Golfo Pérsico subiu 35% em março, enquanto os prêmios de seguro dispararam 143% (Foto: Raul Ariano/ Bloomberg)
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  • A guerra no Irã reduziu drasticamente a presença de compradores do Golfo em Yiwu, centro atacadista da China, afetando negócios locais com a região.
  • As exportações chinesas para o Oriente Médio cresceram 23% nos dois primeiros meses do ano, com total superior a US$ 120 bilhões em 2025.
  • Custos de frete subiram: envio de contêiner para o Golfo aumentou 35% em março; prêmios de seguro subiram 143%; sobretaxas de guerra de até US$ 4 mil por contêiner.
  • Fabricantes chineses, especialmente de eletrônicos, relatam queda na demanda e margens pressionadas pela elevação de custos de matérias-primas, como cobre e alumínio.
  • O impacto pode ameaçar o crescimento da China, já que as exportações — pilar da economia — podem recuar diante da desaceleração global e do aperto nos custos de energia.

A China ficou de fora da guerra no Irã, mas o conflito pode apertar as exportações do país. Em Yiwu, polo atacadista de Zhejiang, a demanda recuou conforme a guerra eleva custos logísticos e energéticos e reduz a demanda global.

Com a guerra no Irã na quarta semana, visitantes do Golfo somem das feiras e voos diminuem. Compradores iranianos ficam sem notícias, enquanto fornecedores chineses buscam manter negócios diante da instabilidade.

As exportações para o Oriente Médio cresceram recentemente, mas mostram sinais de desaceleração. Em 2025, as vendas para Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita atingiram volumes altos; nos dois primeiros meses do ano, subiram 23%.

Custos logísticos e impactos setoriais

O frete de contêiner para o Golfo subiu 35% em março, e os prêmios de seguro dispararam 143%. Sobretaxas de guerra para contêiner chegam a US$ 4 mil, elevando o custo de exportação.

Fabricantes chineses de eletrônicos começam a repensar pedidos. O caso dos aparelhos de ar-condicionado ilustra o cenário: exporting para o Oriente Médio pode cair cerca de 12% neste mês, segundo pedidos online.

A elevação de custos de matérias-primas, como cobre e alumínio, aumenta a pressão sobre margens. O alumínio, antes valorizado pela falta de oferta, viu volatilidade com a continuidade do conflito.

A demanda global fraca pode piorar a situação da China, que depende das exportações para sustentar metas de crescimento. A incerteza geopolítica e a desaceleração econômica mundial desequilibram o panorama.

Perspectivas e atuação governamental

Especialistas divergem sobre o efeito de longo prazo para a China. Alguns defendem que guerras consumirão recursos dos EUA, porém a avaliação majoritária aponta riscos de recessão global e impacto negativo sobre o mercado interno chinês.

O governo chinês enfrenta a crise energética imediata e aposta em reservas estratégicas para proteger a economia. A volatilidade dos preços de commodities aumenta o desafio para as empresas locais.

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