- Correios anunciaram, nesta terça (24), a adoção gradual da escala 12×36 em setores específicos, dentro do Plano de Reestruturação.
- A implementação não será automática e ocorrerá conforme as necessidades do serviço, visando modernizar fluxos e aumentar a eficiência.
- A medida será aplicada principalmente em áreas que demandam funcionamento contínuo e maior agilidade na entrega, devido ao crescimento do comércio eletrônico.
- A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telegrafos e Similares critica a medida, alegando que precariza as condições de trabalho; trabalhadores se organizam contra a mudança.
- O plano de reestruturação envolve déficit bilionário, captação de crédito de 12 bilhões anunciada em dezembro, fechamento de mil agências e promessa de desligamento voluntário de até 15 mil empregados, além da venda de ativos.
Em meio a um processo de reestruturação, os Correios anunciaram a adoção gradual da escala de trabalho 12 horas de serviço por 36 horas de descanso (12×36) em atividades específicas da empresa. A implementação não ocorre de forma automática e será aplicada conforme a demanda do serviço.
A medida integra o Plano de Reestruturação da estatal e visa modernizar fluxos operacionais, melhorar a eficiência e adaptar equipes aos ritmos reais da operação e do negócio. O comunicado da empresa ressalta que a escala será aplicada principalmente em setores de funcionamento contínuo e maior agilidade na entrega, diante do crescimento do comércio eletrônico.
Trabalho flexível é visto pela estatal como diferencial competitivo para ampliar a capacidade operacional e fortalecer a posição da empresa no segmento de encomendas. A implementação respeitará a legislação trabalhista e os direitos dos empregados, segundo os Correios.
Reação dos trabalhadores
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telegrafos e Similares criticou a medida, afirmando que a escala pode precarizar condições de trabalho e sobrecarregar funcionários. A federação afirmou ser essencial manter a organização coletiva e evitar acordos que retirem direitos.
Os trabalhadores informaram que vão se mobilizar para impedir a implementação da nova escala, ressaltando a necessidade de unidade entre as categorias e anunciando resistência nacional caso haja retirada de direitos.
Contexto do plano de reestruturação
O Plano de Reestruturação dos Correios visa estabilizar a empresa, com diagnóstico apontando déficit superior a 4 bilhões de reais anuais, patrimônio líquido negativo e prejuízo acumulado até setembro de 2025. Em dezembro, a empresa captou crédito de 12 bilhões de reais para custear ações emergenciais.
Entre as medidas aprovadas estão o fechamento de mil agências e um plano de desligamento voluntário com expectativa de adesão de até 15 mil empregados. Também foram anunciadas a venda de ativos, incluindo imóveis considerados ociosos, com leilões realizados para obtenção de recursos.
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