- Dan Taylor, vice-presidente global de anúncios do Google, diz que a IA está expandindo a busca e a publicidade, deixando os anúncios mais relevantes.
- O Google Advertising registrou US$ 82,3 bilhões no ano, alta de 13,56% em relação ao período anterior.
- A tecnologia Gemini aparece em três frentes: melhoria da qualidade dos anúncios, novas ferramentas para anunciantes e oportunidades em experiências com IA, como AI Overviews e AI Mode.
- O Google segue investindo em brand safety, com bloqueio de conteúdos inadequados e controle maior pelos anunciantes; em 2024, foram removidos no Brasil mais de 200 milhões de anúncios fraudulentos e suspensas mais de um milhão de contas.
- No Brasil, há integração beta entre Google Shopping e Gemini, com foco em jornadas de compra mais fluídas; o Universal Commerce Protocol também está sendo aplicado para ampliar informações de produtos no Merchant Center.
O Google vive um momento de expansão em sua busca e na área de publicidade, impulsionado pela inteligência artificial e por mudanças no comportamento dos usuários, conforme afirmou Dan Taylor, VP Global de Anúncios da empresa, em entrevista à Bloomberg Línea. Ele destacou que consultas mais longas e complexas estão se tornando comuns e que a IA ajuda a entender melhor essas perguntas, elevando a relevância dos anúncios.
Taylor, que atua na companhia há 20 anos, apontou que a melhoria da qualidade dos resultados e a eficiência dos anúncios caminham juntas, alimentando uma nova fase do ecossistema publicitário do Google. O executivo enxerga um avanço rumo ao sonho dos fundadores: um mecanismo de busca cada vez mais capaz de oferecer a resposta exata desejada.
Os números aparecem no balanço da Alphabet. No segmento Google Advertising, as receitas somaram US$ 82,3 bilhões no último ano, alta de 13,56% frente ao período anterior, segundo a fabricante. Os dados englobam buscas, YouTube Ads e Google Network.
A atuação do Gemini, plataforma de IA que sustenta a estratégia, aparece em três frentes: melhoria da qualidade dos anúncios, novas ferramentas para anunciantes e oportunidades publicitárias em experiências com IA, como AI Overviews e AI Mode. Taylor ressaltou queda de mais de 40% na taxa de anúncios irrelevantes nos últimos dois anos.
“O melhor anúncio é uma resposta”, resumiu o executivo, que participou do Think With Google, evento da empresa para clientes e mercado publicitário. Ele reforçou que o Google só exibe publicidade quando é relevante para a busca ou para o contexto da resposta gerada pela IA.
Nas experiências com AI Overviews, os anúncios aparecem apenas quando agregam utilidade à jornada do usuário, mantendo separação clara entre conteúdo orgânico e patrocinado. O AI Overviews é a plataforma de IA mais usada no mundo, com mais de 2 bilhões de usuários mensais, segundo dados internos da empresa.
Taylor informou que o Google testa novas formas de inserir publicidade em experiências conversacionais, priorizando o momento do usuário na jornada em vez do formato. Ele citou como exemplo a própria experiência de uso, desde a busca inicial até momentos de decisão sobre marcas e produtos.
Sobre a integração com o aplicativo Gemini, o Google não exibe anúncios no Gemini atualmente. A prioridade segue sendo Search e AI Mode, mas a empresa não descartou levar oportunidades comerciais para outras superfícies no futuro.
Novo patamar para anúncios e segurança
O executivo destacou investimentos em proteção de brand safety, com filtros específicos no Google Ads e no Display & Video 360 para controlar a exibição de anúncios. Segundo ele, anunciantes ganharam mais controle sobre ambientes de exibição, à medida que agentes mal-intencionados adotam novas tecnologias.
O último Relatório de Segurança da empresa aponta a remoção de mais de 200 milhões de anúncios fraudulentos no Brasil em 2024 e a suspensão de mais de 1 milhão de contas. Em comércio, Taylor apontou avanços com ferramentas de advertising e commerce com lógica de agente, reduzindo o atrito entre consumidores e varejistas.
Em janeiro, o Google lançou o Universal Commerce Protocol. Em seguida, foram adicionadas ferramentas no Google Merchant Center para ampliar informações de produtos, como perguntas frequentes e acessórios, facilitando a descoberta em IA e modelos de linguagem. No Brasil, a experiência integrada do Google Shopping com o Gemini está em beta, com previsão de lançamento em português.
O objetivo é oferecer uma jornada semelhante à do Google Shopping atual, porém com maior fluidez, inteligência e interações entre produtos. Em meio a migrações de buscas para plataformas como TikTok e IA generativa, Taylor permanece otimista sobre o momento.
Questionado sobre a competição com a Amazon e o varejo conectado, ele mostrou firme posição de não adotar visão de soma zero, afirmando que a IA representa expansão para a busca e para a indústria como um todo. A empresa entende a competição como saudável.
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