- O preço do petróleo Brent subiu de US$ 73 no fim de fevereiro para pico em torno de US$ 91, com momentos próximos de US$ 120 após o conflito no Oriente Médio e a ameaça ao estreito de Ormuz.
- O estreito de Ormuz, que transporta cerca de 20 milhões de barris por dia (em torno de 25% do comércio marítimo mundial), é o principal gatilho da volatilidade dos preços.
- O Brasil zerou o PIS/Cofins sobre o diesel e criou um programa de subvenção ao importador e ao produtor de diesel, financiado pela taxação de exportação de petróleo em 12%.
- Essas medidas, para reduzir o preço na bomba, podem afastar investimentos e distorcer o mercado, atrasando o desenvolvimento de opções como gás natural liquefeito, biometano e outras fontes.
- Em contraste, a China investiu maciamente na eletrificação de veículos (mais de US$ 100 bilhões desde 2018), com participação de caminhões elétricos crescendo e reduzindo a demanda por petróleo; o Brasil tem potencial com etanol, biodiesel, biometano, gás natural e energia elétrica limpa, mas falta visão estratégica de longo prazo.
O preço do petróleo subiu rapidamente após o início do conflito no Oriente Médio. O Brent, que fechou fevereiro em torno de US$ 73, chegou a US$ 91, com picos acima de US$ 100 e, em momentos de estresse, próximo de US$ 120. O repique refletiu incertezas sobre oferta.
O fator-chave foi o estreito de Ormuz, que movimenta cerca de 20 milhões de barris/dia, cerca de 25% do comércio marítimo global. Qualquer ameaça a esse corredor aumenta a volatilidade dos mercados.
Medidas globais e brasileiras
Governos do G7 liberaram reservas estratégicas para conter altas de preço. No Brasil, o governo zerou o PIS/Cofins sobre o diesel e criou subsídio ao importador e ao produtor, financiados por uma nova tarifa de exportação de petróleo de 12%.
Essa lógica pode reduzir o custo visível no posto, mas não garante queda na bomba. A cadeia de distribuição envolve margens, fretes e contratos que diluem o repasse de baixas tributárias para o consumidor final.
Efeitos colaterais
Financiar políticas públicas com impostos de exportação pode afastar investimentos e criar insegurança regulatória. O país precisa estimular novas áreas de exploração, como a Margem Equatorial, para reduzir dependência de importação.
Subsidiar o diesel também distorce o mercado frente a alternativas. Caminhões movidos a GNL, biometano e gás natural veicular podem oferecer ganhos técnicos e econômicos, mas perdem espaço diante de subsídios ao fósseis.
Caminhos possíveis
A comparação com a China é ilustrativa. Desde 2018, o governo investiu cerca de US$ 100 bilhões para eletrificação veicular, com 22% das vendas de pesados no 1º semestre de 2025 sendo caminhões elétricos. O resultado inclui menor consumo de petróleo.
O Brasil dispõe de diversidade energética: etanol, biodiesel, biometano, gás natural, pré-sal e uma matriz elétrica limpa. O desafio é planejar políticas públicas de longo prazo, não ad hoc.
Conclusão de estratégia energética
Cada real gasto com subsídio ao diesel reduz recursos para infraestrutura de GNL, biometano ou eficiência. Enquanto a China busca independência energética estrutural, o Brasil permanece dependente de fósseis subsididados.
A diferença entre os países não é de recursos, mas de ambição estratégica. O Brasil precisa transformar seu potencial em ações que reduzam a vulnerabilidade aos choques do petróleo.
Entre na conversa da comunidade