- O cessar-fogo no Oriente Médio anima os mercados globais, com queda nos principais contratos de petróleo.
- No Brasil, há defasagem entre preços internos e externos dos combustíveis, e o diesel já está próximo de R$ 3.
- Refinarias nacionais não processam o petróleo do pré-sal, o que aumenta a dependência de importação de diesel, estimada em cerca de 25% do consumo (podendo chegar a 30% na safra).
- A Agência Nacional do Petróleo pediu que a Petrobras retome rapidamente os leilões de combustíveis; leilão programado para 16 e 17 de abril foi suspenso, e já há sinais de desabastecimento no Rio Grande do Sul.
- No âmbito fiscal, o governo avalia subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel; houve bloqueio orçamentário e o superávit previsto para 2026 foi reduzido para 3,5 bilhões de reais.
O mercado reagiu com alívio à possibilidade de cessar-fogo no Oriente Médio, o que derrubou os principais contratos de petróleo. No Brasil, porém, o cenário interno de abastecimento segue sob risco devido à suspensão de leilões de combustíveis pela Petrobras.
A Petrobras comunicou a suspensão de um leilão programado para 16 e 17 de abril, alegando atraso na chegada de um navio-tanque com combustível. A ANP solicitou que a estatal retome as ofertas com urgência para evitar impactos nas distribuidoras e nos postos.
Defasagem de preços é apontada como entrave estrutural. O diesel interno tem ficado defasado em relação ao externo, o que aumenta a pressão sobre importações. As refinarias nacionais não processam plenamente o petróleo do pré-sal, elevando a dependência de compras no exterior.
Risco de desabastecimento se amplia no curto prazo, especialmente no Rio Grande do Sul, onde já há sinais de restrições de serviço. Entre empresários, cresce o alerta sobre a necessidade de leilões ágeis para manter o fluxo de combustível.
Crise energética mundial e projeções de preço
Especialistas veem a crise energética global como mais grave do que indicam os ajustes no Brasil. O cenário internacional aponta destruição de capacidades de refino no Oriente Médio, o que tende a reduzir ofertas mesmo com eventual reabertura do estreito de Hormuz.
Entrevistas com analistas indicam revisão de preço do petróleo. O Goldman Sachs elevou a previsão média para 2026 para perto de US$ 90 o barril, acima de estimativas anteriores entre US$ 60 e US$ 70. A percepção é de maior volatilidade externa que pode afetar o Brasil.
Impacto fiscal e medidas em estudo
Ao mesmo tempo, o governo avalia uma subvenção de até R$ 1,20 por litro de diesel, com participação federal e apoio de estados para o restante. O orçamento, no entanto, já registra bloqueios devido a despesas com o Benefício de Prestação Continuada e com o Programa Nacional de Alimentação Escolar.
O superávit esperado para 2026, antes estimado em 0,25% do PIB, passou a estimar apenas cerca de 0,35% de participação do governo. Economistas questionam a disponibilidade de recursos para manter cortes de impostos e subsídios sem comprometer o arcabouço fiscal.
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