- A Rússia suspendeu as exportações de nitrato de amônio por um mês para manter abastecimento durante a temporada de plantio.
- Moscou controla até 40% do comércio global do fertilizante, fator crucial para o abastecimento mundial.
- China também interrompeu embarques, e o Oriente Médio, responsável por 20% a 25% da oferta global, foi impactado.
- O Brasil depende fortemente de fertilizantes importados, o que aumenta o risco de escassez no campo.
- O professor Daniel Vargas aponta que, de 2002 a 2024, houve desindustrialização no setor e queda de cerca de 30% na produção brasileira de nitrogenados.
A Rússia anunciou na terça-feira 24 a suspensão temporária das exportações de nitrato de amônio por um mês. A medida visa garantir abastecimento suficiente durante a temporada de plantio, algo estratégico para o país produtor. Moscou controla até 40% do comércio global do insumo.
A decisão ocorreu em meio a tensões geopolíticas, com outros grandes players interrompendo envios. A China também suspendeu embarques, e o Oriente Médio, responsável por cerca de 20% a 25% da oferta mundial, também foi afetado. O efeito direto recai sobre o agronegócio brasileiro, fortemente dependente de importações.
Segundo o economista Daniel Vargas, da FGV e da Escola de Economia de Direito Rio, o conjunto dessas medidas cria um curto-circuito que atinge até 25% das exportações russas e 15% a 20% da China. Ele aponta que o fornecimento global fica comprometido em múltiplas fontes.
Vargas explica que a dependência brasileira vem de um processo de desindustrialização iniciado há mais de duas décadas. A produção nacional de nitrogenados caiu cerca de 30% e várias fábricas fecharam, agravando a vulnerabilidade do país frente a choques externos.
Dependência brasileira de fertilizantes
A indisponibilidade global eleva o risco de escassez de insumos usados no campo. O Brasil importa grande parte de fertilizantes, o que aumenta a vulnerabilidade diante de cortes de suprimento vindos de grandes produtores. Analistas enxergam necessidade de diversificar fontes e ampliar a produção interna.
A análise aponta ainda que a dependência impacta diretamente a agricultura brasileira, com consequências potenciais para custos, competitividade e prazos de cultivo. Especialistas discutem caminhos para mitigar riscos, incluindo investimento em produção nacional e logística.
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